Extremamente alto & Incrivelmente perto

Pela primeira vez, não consigo criar um título para o início de uma resenha. Isso porque nunca um livro me trouxe tantas emoções fortes ao ponto de me deixar anestesiado no fim; para vocês terem uma ideia, comecei o livro ontem e terminei hoje pela manhã e fiquei o dia todo absorvendo o que havia acabado de ler. Vou falar hoje do livro que se tornou o meu favorito e provavelmente aquele que vou reler muitas vezes: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto do autor Jonathan Safran Foer.

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“O ser humano é o único animal que enrubesce, ri, tem religião, declara guerras e beija com os lábios. Por isso, de certo modo, quanto mais usar os lábios para beijar, mais humano você é” – Oskar Schell

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Extremamente Alto & Incrivelmente Perto é um livro sobre saudade.

A história se passa em torno de duas tragédias: o bombardeio à cidade de Dresden na Alemanha em 1945 e o ataque terrorista as torres gêmeas em 2001. Aliás, a parte que narra o bombardeio, foi escrito de uma forma tão angustiante que eu precisei parar de ler algumas vezes, já que a escrita do autor conseguiu fazer com que eu me sentisse no meio de toda a confusão e sentindo a dor daqueles ali presentes.

Oskar Schell é um menino de 9 com uma inteligência absurdamente superior aos da sua idade – e até a de alguns adultos. Ele mesmo se apresenta como: “inventor, desenhista e fabricante de joias, francófilo, vegan, origamista, pacifista, percussionista, astrônomo amador, consultor de informática, arqueólogo amador e colecionador de moedas raras, borboletas que morrem de causas naturais, cactos em miniatura, memorabilia dos Beatles e pedras semipreciosas”. Além de escrever diversas cartas ao longo do livro para Stephen Hawking a quem ele admira e já leu e releu diversas vezes os seus livros (principalmente o Uma Breve História do Tempo). No começo, tive a impressão de que ele era autista pela forma que agia e os seus pensamentos, mas no livro não confirma se eu estava certo ou errado. Oskar perde o pai no atentado as torres gêmeas e é aí que sua vida vira de cabeça para baixo, já que tinha uma relação muito próxima do pai, eram além de tudo, o melhor amigo um do outro.

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Oskar Schell interpretado por Thomas Horn na adaptação “Tão Forte e Tão Perto” (2011)

Um ano depois da morte de seu pai, ele encontra um envelope dentro de um vaso no closet e dentro dele há uma chave e a palavra Black. Oskar então decidi que sua meta é descobrir o que aquela chave abre e assim, quem sabe, poder aproximar-se o máximo do pai que partiu. Oskar acaba optando por acreditar que Black é um sobrenome e a partir daí, resolve visitar todas as pessoas com este sobrenome e nessa jornada, ele descobre histórias de vida e pessoas tão diferentes uma das outras; cada um percorreu uma estrada diferente e aí está o melhor do livro, a forma como a esperança de descobrir um segredo do pai e o desespero de manter sua memória viva o máximo possível, faz com que ele conheça outros pontos de vista, outras modos de viver e pessoas que convivem com a saudade da forma delas. Além de tudo isso, precisa continuar convivendo com a escola – local onde tem inúmeras dificuldades – e com a impressão de que a mãe está superando a morte do pai, sendo que na visão dele, não deveria.

“Tantas pessoas entram e saem da vida da gente! Centenas de milhares de pessoas! Você precisa manter a porta aberta para que elas entrem! Mas isso também significa que você precisa deixá-las sair” – Sr. Black

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Sr. Schell – avó de Oskar – interpretado por Max von Sydow

A história é narrada também através das cartas de outros dois personagens. O avô de Oskar e a avó – pessoa que, depois do pai, tinha a relação mais próxima com o garoto.

O avô é o mais peculiar dos personagens, pois em certo momento de sua vida, ele desistiu de falar; tatuando em suas mãos as palavras SIM e NÃO e quando precisava ser mais específico escrevia – carregando consigo sempre um caderninho. É em seus capítulos que ficamos sabendo sobre o bombardeio a cidade de Dresden em um relato emocionante e sufocante. Thomas também carrega a culpa por ter abandonado sua esposa grávida e se expressa através de cartas destinadas ao filho – cartas estas, que nunca foram enviadas. Sendo assim, ele não conheceu seu filho ao nascer e perdeu a oportunidade de conhecê-lo mais tarde já que este morreu. E a outra narração é feita pela avó de Oskar em cartas destinadas ao próprio neto. Onde conta o seu lado da história e fala de sua infância e de tudo que passou com a perda do filho.

O mais legal de tudo é que o autor narra os capítulos de cada personagem de forma única, assim você sabe perfeitamente quem está narrando apenas pela estrutura do texto. Outra coisa incrível é o uso de fotografias e outras técnicas em seu texto, que transforma a leitura em algo único para os seus leitores.

“Às vezes consigo escutar os meus ossos se comprimindo sob o peso de todas as vidas que não estou vivendo” Sr. Schell

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Oskar Schell e sua Mãe interpretada por Sandra Bullock

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“Tudo que nasce precisa morrer, o que significa que nossas vidas são como arranha-céus. A fumaça sobe em diferentes velocidades, mas todos estão em chamas, e estamos todos aprisionados” – Oskar Schell

Enfim, precisei compartilhar aqui a melhor leitura do ano – na minha opinião. Uma leitura reflexiva que traduz o sentimento de saudade e me trouxe lágrimas aos olhos em vários momentos, assim como um desconforto em cenas tão viscerais que era preciso pausar a leitura, respirar, absorver e só então, continuar. Indico o livro para todos que procuram uma leitura verdadeira, honesta e extremamente tocante.

Oskar Schell e seu aprendizado se tornou o meu aprendizado. E vou guardá-lo em minha memória para sempre.

“[…] nada pode ser amado com mais intensidade do que aquilo que nos faz falta.”

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Extremamente alto & Incrivelmente perto”

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