Mariazinha enfezadinha, o que tem no seu jardim?

Hoje eu vou fazer a resenha de um livro que inspirou um dos filmes mais queridos da minha infância (infelizmente só fiquei sabendo da existência do livro esse ano, shame on me): O Jardim Secreto da escritora Frances Hodgson Burnett.

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Mary Lennox é uma garotinha de dez anos mandona, mimada e mal-humorada que vive na Índia com os seus pais – que a ignoram totalmente – sendo assim, criada por sua aia que obedece a todos os seus caprichos. Um dia em um surto de cólera, seus pais morrem contaminados fazendo com que a menina seja enviada a Yorkshire (Inglaterra) para viver com o seu tio.

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Mary Lennox interpretada por Kate Maberly na adaptação de 1993

Chegando lá descobre que o seu tio é um homem que está sempre viajando e quando está em casa, se mantém trancado em seu escritório. A mansão onde vive possui 100 quartos, além de um jardim colossal. Mary é deixada em um quarto pela governanta – Sra. Medlock – e é avisada para não ficar perambulando pela casa, além de que, não terá mais alguém cuidando dela (isso se prova um desafio já que Mary nunca fez nada sozinha).

A única pessoa que tem contato é com a empregada – Martha – que traz as suas refeições e limpa o quarto. Martha é uma típica “caipira” com o seu sotaque forte e o fato de falar sem parar. Acha engraçado como uma menina de 10 anos é incapaz até de calçar os próprios sapatos sem ajuda – é assim que Mary começa a perder todo aquele “ar imperial” que comanda a sua personalidade.

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Mary Lennox e Dickon – interpretado por Andrew Knott

Há vários jardins na mansão e um dia, enquanto Mary explora o local, acaba encontrando um que está trancado há dez anos. Após uma busca incessante, a garota acaba encontrado a chave que estava enterrada com a ajuda de um passarinho e então, entra; descobrindo um lugar abandonado, mas ainda com alguma esperança. A menina começa a cuidar do jardim secreto e à medida que vai fazendo isso, ela vai mudando; se torna mais dócil e sua aparência de criança doente deu lugar para a de uma saudável.

O jardim começa a prosperar quando Mary recebe a ajuda de Dickon (irmão mais novo de Martha e o meu personagem favorito do livro) que tem o dom com a natureza, se dando bem com os bichos e sabendo tudo sobre plantas.

Porém, um mistério ainda perturba a pequena Mary: os barulhos que ela ouve a noite. Ela acredita ser um choro, mesmo com Martha lhe explicado que é apenas o vento. Durante certa madrugada, ela resolve investigar e é aí que conhece o Colin – o filho de seu tio, um garotinho que passou a vida toda na cama, acreditando que está seriamente doente e que poderá morrer a qualquer momento; o garoto tem o gênio tão ruim quanto o que Mary tinha, além dos seus ataques histéricos quando algo não sai do jeito que quer. E é assim, que nasce uma amizade entre os dois.

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A história do livro é fantástica e me trouxe a infância de volta, com toda aquela curiosidade típica, as brincadeiras e o modo único de ver o mundo – que após crescermos, jamais recuperamos. O mais legal de tudo é a metáfora do jardim, pois as duas crianças (Colin e Mary) começaram como jardins abandonados, que ninguém tratava ou acreditava ter cura e a medida que a primavera se aproxima e as flores nascem naquele lugar desolado, algo floresce nos dois; algo tão puro quanto: a esperança. Considero Dickon o tratador do jardim, o menino especial que trouxe uma outra visão do mundo para os dois, assim como a mãe dele – uma mulher simples, mas muito sábia e a primeira pessoa a encorajar Mary ao dar a corda de pular de presente para a menina. O filme também é muito bom e bonito, minha única crítica é terem cortado a aparição da mãe de Dickon e Martha. Recomendado para todas as idades, pois traz belas mensagens.

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Mary, Dickon e Colin (interpretado por Heydon Prowse)

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

3 comentários em “Mariazinha enfezadinha, o que tem no seu jardim?”

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