Porque às vezes o que mais precisamos está bem na nossa frente!

Hey!

É com esse título que eu dou início a resenha de um livro que se tornou um dos meus favoritos do ano (e olha que 2013 foi um ano de grandes leituras para mim!). Não sou fã de histórias de amor, mas é legal ser surpreendido de vez em quando (da mesma forma que fui surpreendido com o filme P.S Eu te Amo; que eu sei que tem um livro, mas ainda não pude ler) e dessa vez, um autor foi capaz de criar uma história de romance tão densa, tão bem escrita e com personagens tão bem construidos que simplesmente fez com que eu me afogasse nas páginas e sentisse muitas coisas. Estou falando do livro Um Dia do excelente David Nicholls.

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Conheci primeiro o filme por causa de uma amiga minha que assistiu e adorou. Resolvi arriscar e quando os créditos finais surgiram, estava boquiaberto e estupefato pelo que tinha acabado de ver. Então, menos de 1 mês depois resolvi comprar o livro; achava que não tinha chance deu ficar ainda mais surpreso e de sentir mais coisas, mas aconteceu. David nos leva através dos anos, nos faz conhecer tão bem a cabeça de seus dois protagonistas, nos sentirmos amargurados, apaixonados, com raiva, com pena e há sempre os momentos em que o suor masculino cobria os meus olhos. Ok, ok… xD

Vamos para a história:

“Para que servem os dias?

Dias são onde vivemos.

Eles vêm, nos acordam

Um depois do outro.

Servem para a gente ser feliz:

Onde podemos viver senão neles?”

Philin Larkin, “Days”

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Emma e Dexter interpretados por Anne Hathaway e Jim Sturgess

Estamos em 15 de julho de 1988. Emma Morley (a garota inteligente e cheia de ideias revolucionárias) e Dexter Mayhew (o garoto bonitão, festeiro e rico), após uma noite de bebedeira acabam juntos. Depois de horas e horas de conversa e claro, “de fazer coisinhas safadinhas” acabam descobrindo um no outro algo diferente, pois o papo vem fácil, ambos tem o sarcasmo aflorado e parecem se completar. Dexter ainda tem lá as suas dúvidas, já que não costuma ficar com aquele tipo de garota, mas algo nela o deixa fascinado.

Dexter sonha em viajar pelo mundo para se encontrar, já Emma quer ser escritora e fazer a diferença usando a sua arte. À partir desse dia, vamos acompanhando o que está acontecendo com eles sempre nessa data (15 de julho) e é dessa forma que o autor nos traz a complexidade que é viver e como controlamos os nossos destinos apenas até certo ponto e que o tempo sempre pode nos surpreender.

O meu resumo pode parecer um pouco simples, mas é muito mais do que isso e eu vou mostrar o porquê.

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“‘Viver cada dia como se fosse o último’ – esse era o conselho convencional, mas na verdade quem tinha energia para isso? E se chovesse ou você estivesse de mau humor? Simplesmente não era prático. Era bem melhor tentar ser boa, corajosa, audaciosa e se esforçar para fazer a diferença. Não exatamente mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor. Seguir em frente, com paixão e uma máquina de escrever elétrica e trabalhar duro em… alguma coisa. Mudar a vida das pessoas através da arte, talvez. Alegrar os amigos, permanecer fiel aos próprios princípios, viver com paixão, bem e plenamente. Experimentar coisas novas. Amar e ser amada, se houver oportunidade.”

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Todos nós temos sonhos, expectativas, desejos; se você está em uma fase ruim, isso não vai durar para sempre, assim como a vida não é perfeita o tempo todo. Nós temos altos e baixos e por mais que as vezes a gente negue, as pessoas mudam. O modo como você vê a vida aos 15 não será igual quando tiver com 25 e vai mudar novamente aos 35 e daí por diante.

David Nicholls nos mostra isso através de dois personagens incríveis. Emma e Dexter continuam se vendo de vez em quando, mas cada um seguiu uma estrada diferente. Ele, no início, consegue com que tudo aconteça da forma que desejou; está conhecendo vários países diferentes, vivendo como um andarilho. Já ela, 1 ano após a formatura se vê presa em um serviço que odeia e as coisas que planejou soam sonhadoras demais aos seus ouvidos. Os dois estão sempre se cruzando e quase ficam juntos inúmeras vezes. E como viver é uma montanha russa, vemos como a ‘vida boa’ pode declinar e a ruim se alavancar.

Um livro reflexivo, com personagens bem construídos, situações escritas que acontecem com todo mundo (ou pelo menos com a grande maioria) e reviravoltas surpreendentes. Os diálogos são tão realistas que é como se estivéssemos ali, em um bate papo entre amigos. A história, a cada capítulo, vai ganhando novas camadas e há momentos muito densos, onde os olhos marejam, assim como cenas engraçadíssimas. Aliás, toda vez que Emma e Dexter estão juntos, sempre terá um comentário sarcástico de um deles que nos faz rir.

Confesso que o Dexter me irritou em inúmeras passagens, assim como em outras eu quis consolá-lo; da mesma forma que Emma fez algo que eu não esperava dela. Porém, isso só mostra o quanto eles são humanos e que erram, todos nós erramos.

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Recomendo tanto o livro quanto o filme que também é muito bom. Outra coisa, o autor consegue fazer com que percebamos o passar do tempo, acompanhamos a mudança tanto física quanto psicológica de cada um. É um aprendizado sobre a vida, como tudo pode acontecer e o principal: às vezes não percebemos que o que mais precisamos está bem na nossa frente!

O final me surpreendeu, pois o autor fez uma escolha arriscada (não vou falar mais do que isso para não dar spoiler). Gostaria que tivesse sido diferente, mas consigo entender a decisão de Nicholls.

“Embora não fosse sentimental, havia ocasiões em que Dexter podia ficar quieto vendo Emma Morley rir ou contar uma história e saber com absoluta certeza que ela era a melhor pessoa que conhecia. Às vezes quase tinha vontade de dizer isso em voz alta, interrompê-la para fazer essa afirmação. Mas não era um desses momentos, e, em vez disso notou que ela parecia cansada, triste e pálida (…).”

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Um beijo do mágico e volte sempre!

:*

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Porque às vezes o que mais precisamos está bem na nossa frente!”

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