“Não julgue um menino pela cara”

Hey!

Lembro que eu estava xeretando um programa no celular onde eu podia ler amostras de alguns livros e encontrei um que me chamou a atenção, primeiramente pela capa simples e bonita, depois pelo título e então pela sinopse. Li os três primeiros capítulos e enlouqueci, pois precisava ler o resto; na mesma semana corri atrás do livro e o comprei. Estou falando do Extraordinário da escritora R. J. Palacio.

Imagem

É assim que August Pullman, ou Auggie para os íntimos, se apresenta:

“Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho. Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão”

Auggie é um menino de 10, com pais amorosos, uma excelente irmã e fã de Star Wars; mesmo com tantas características que o aproximam de todas as crianças ‘normais’, apenas uma, faz com que ele se torne totalmente diferente, pelo menos aos olhos da maioria. Ele nasceu com uma síndrome genética que lhe causou uma grave deformidade facial. Por causa das inúmeras cirurgias que foi submetido, acabou sendo educado em casa pela mãe. Agora, sabendo que não precisará de outra cirurgia tão cedo, August irá para a escola pela primeira vez.

A questão é que, quando eu era pequeno, nunca me incomodava em conhecer outras crianças porque todas elas também eram pequenas. O legal de crianças pequenas é que elas não dizem coisas para tentar magoar você e, mesmo que às vezes façam isso, não sabem o que estão falando. Quando elas crescem, por outro lado… sabem muito bem o que estão dizendo. E isso, definitivamente, não é divertido para mim. Um dos motivos para eu ter deixado meu cabelo crescer no ano passado é que gosto do modo como a franja cobre meus olhos: isso me ajuda a tampar as coisas que não quero ver.

Imagem

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo” – August Pullman

Na literatura jovem atual, onde a maioria dos protagonistas se assemelham a super modelos ou protótipos da perfeição, é muito bom entrar em contato com um que nada contra a maré e que nos apresenta algo mais próximo da realidade. Não lembro de já ter lido algum livro onde o protagonista possuísse o rosto deformado e isso já garante muitos pontos ao delicado romance de R. J. Palacio. A própria autora diz que a história surgiu a partir de um episódio ruim que aconteceu com ela, onde o seu filho após ver uma criança com deformidade facial, acabou gritando e fazendo com ela corresse do local (cena que inclusive, está presente no livro); isso fez com que se sentisse culpada e após pesquisar muito sobre a doença, acabou escrevendo este livro.

Não precisamos dos olhos para amar, certo? Apenas sentimentos dentro de nós. É assim no céu. É só amor. E ninguém se esquece de quem ama.

Com uma escrita leve e fácil, através de alguns pontos de vista variados (da irmã, do namorado e da ex-amiga dela e dos dois coleguinhas de escola, além, é claro, do próprio Auggie), Palacio discute inúmeros temas como o bullying, a auto aceitação, a super proteção dos pais e como a vida pode se tornar mais complicada quando há um filho com alguma deficiência e também sobre como às vezes a concentração nesse filho é tanta, que acabam esquecendo dos outros filhos que merecem atenção. E a mensagem mais importante: somos todos feitos de carne e osso, cometemos erros e precisamos aprender com eles; por mais que você tenha feito algo de que não se orgulhe, nunca é tarde para tentar se redimir.

Auggie é um personagem incrível e que apesar dos problemas, é sempre positivo em relação à si mesmo e nunca se rende a auto piedade. Todos temos uma primeira impressão quando conhecemos ou simplesmente vemos alguém, o importante é não deixar com que isso domine a sua opinião. Precisamos conhecer as pessoas antes de tirarmos conclusões precipitadas.

“Sabe o que eu acho? A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma”

Um livro incrível, indicado para todas as idades.

Beijo do Mágico e volte sempre!

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil: escolha ser gentil.

Anúncios

Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em ““Não julgue um menino pela cara””

Comente e deixe o Mágico feliz!!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s