“A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta”

Hey!

Hoje eu vou falar de um livro que explodiu a minha mente, socou-me o estômago e me fez ficar boquiaberto durante a leitura (o que é algo estranho quando você está lendo em um local público). O livro se tornou um dos meus favoritos assim como o autor – que agora me fez querer ler tudo que já escreveu. Estou falando de Clube da Luta do autor Chuck Palahniuk. Ah, vou comentar sobre o filme também lá no final do post!

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Um rapaz infeliz com a sua vida e com o emprego de coordenador de campanha de recall, acaba com sérios problemas de insônia que o deixa sem dormir durante semanas. Porém após uma resposta mal-educada de seu médico, ele resolve frequentar alguns grupos de pessoas com doenças graves e/ou próximas da morte e percebe que estar em contato com toda aquela tristeza, faz com que ele durma melhor à noite; em suas próprias palavras afirma: “perder todas as esperanças era libertador”. 

As coisas complicam quando ele começa a perceber a presença de uma mulher em todas as mesmas reuniões que ele frequenta e a partir do momento que ele percebe a presença dela, a insônia retorna, tornando-o incapaz de dormir novamente, pois ele sabia que a mulher, Marla Singer, era uma farsante (nota isso ao encontrar ela em uma reunião para pessoas com câncer de testículo) e a farsa dela, acabava espelhando a sua própria.

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“A  filosofia da vida de Marla, ela me disse, é que ela poderia morrer a qualquer momento. A tragédia na vida dela é que ela não morre” página 134

E isso não é tudo. Após um acidente em seu apartamento, ele acaba indo morar com Tyler Durden, um rapaz desapegado dos bens materiais e que trabalha em múltiplos empregos, além de fabricar sabão caseiro. Durante o primeiro encontro deles, Tyler pede para o Rapaz (estou chamando de rapaz, pois ele não revela o nome) dar um soco nele com toda a força e os dois, no meio do estacionamento acabam brigando e em seguida, sentem a sensação de liberdade, de ‘tirar o peso dos ombros’ ao extravasar toda a violência presente neles.

A briga dos dois acaba atraindo certo público e é assim que eles resolvem fundar o Clube da Luta, um lugar que funciona no porão de um bar onde os homens podem liberar toda a violência presente neles, descontar todas as frustrações. E junto com o clube são criadas oito regras:

A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.

A segunda regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta.

Terceira regra: se alguém gritar “para!”, fraquejar ou sinalizar, a luta está terminada.

Quarta regra: apenas dois caras numa luta.

Quinta regra: uma luta de cada vez.

Sexta regra: sem camisa e sem sapatos.

Sétima regra: as lutas duram o tempo que for necessário.

Oitava regra: se esta for a sua primeira noite no clube da luta, você tem que lutar!

Tudo fica bem, até o momento que que os planos de Tyler se ampliam para algo mais perigoso, uma guerra contra as grandes corporações e o início de atos terroristas.

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Já é complicado o bastante falar sobre livros e é mais ainda quando preciso comentar sobre um que me enlouqueceu, acertou o meu estômago inúmeras vezes e ainda me fez pedir mais. Dizer o quão incrível, denso e psicológico é a história criada por Chuck Palahniuk soa como mero eufemismo perto da magnitude da obra; mesmo assim vou tentar falar sobre o que eu percebi durante a leitura. A escrita é fluida e o começo apesar de confuso, é hipnótico e inúmeros fatos que no início soam “bagunçados”, vão sendo explicados ao decorrer da trama.

O livro tem uma critica forte ao capitalismo e como essa sociedade de consumistas se torna robótica e miserável, além de criticar as inúmeras regras impostas apenas depois que os homens já estragaram tanta coisa. Também mostra a violência presente em cada ser humano, necessitando apenas a faísca certa para criar uma explosão; o clube da luta tem um papel essencial nisso, nos mostrando pessoas que durante o dia parecem ‘normais’ ou ‘sem graça’, mas durante as reuniões do clube mostram o animal sedento por violência.

” – O desastre é uma parte natural da minha evolução […] rumo à tragédia e a dissolução. […] Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais […] pois apenas ao me destruir posso descobrir o poder superior do meu espírito” Tyler Durden, página 136

Tyler representa tudo que o Rapaz deseja ser. Desinibido, corajoso e respeitado. Tyler o consome com os seus desejos de destruição e autodestruição; tornando o narrador cada vez mais dependente dele e submerso em seu mundo sombrio. Tyler possui alguns bons princípios, porém, os enxerga de forma deturpada e o modo como quer exercê-los é assustador, pois ele quer fazer isso ao espalhar o caos com o seu projeto chamado ‘Desordem e Destruição’. O Clube da Luta acaba se tornando uma seita, onde o grande e admirado líder é Tyler.

A forma como Tyler influencia o Narrador, fica ainda mais clara nesse trecho:

“O que Tyler fala sobre sermos o lixo e os escravos da história é como me sinto. Queria destruir todas as coisas bonitas que nunca tive. Queimar a floresta tropical amazônica. Bombear CFC direto para a camada de ozônio. Abrir as válvulas de descarga dos tanques dos superpetroleiros e destampar as plataformas de petróleo em alto-mar. Queria matar todos os peixes que não consigo comprar para comer e sujar as praias francesas que nunca verei.

[…] Enquanto batia naquele garoto, o que queria fazer mesmo era atirar entre os olhos de cada panda ameaçado de extinção que não trepava para salvar sua espécie e de cada baleia ou golfinho que desistiu e encalhou na praia.

Não pense nisso como extinção. Pense como diminuição de pessoal. Durante milhares de anos os humanos foderam, sujaram e fizeram merda com este planeta e agora a história espera que eu limpe tudo. Tenho que lavar e amassar minhas latas de sopa. E dar conta de cada gota de motor usado.

E tenho que pagar a conta do lixo nuclear, tanques de combustível enterrados e terra cheia de lixo tóxico jogado lá uma geração antes de eu nascer.

[…] Queria respirar fumaça.

Pássaros e veados são luxos bobos e todos os peixes deveriam flutuar.

Queria queimar o Louvre. Quebraria os mármores do Panteão com uma marreta e limparia a bunda com a Mona Lisa. Esse é o meu mundo agora.

Esse é o meu mundo, o meu mundo, e as pessoas antigas estão mortas”

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Enfim, leiam esse livro incrível e tirem as suas próprias conclusões. Os personagens são bem construidos, bem humanos, tendo suas fraquezas e seus pontos fortes bem expostos. A escrita de Chuck é frenética e fluida. E ainda tem o final que me perturbou muito!

Agora, falando sobre o filme, o texto é surpreendentemente fiel ao livro, a única coisa que me decepcionou foram os últimos 30 minutos que trocaram cenas excelentes. Mesmo assim, os atores estão incríveis e o filme não deixa a desejar.

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Beijo do Mágico e voltem sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

3 comentários em ““A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta””

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