Deixa ela entrar…

Hey!

Após uma onda de livros com vampiros incorporando adolescentes e suas manias, a confusão da vida amorosa e tendo toda a sua essência sugada para transformar uma criatura monstruosa em um quadro deturpado de príncipe encantado; acabei deixando de lado as histórias sobre esses seres da noite (gosto apenas dos vampiros da Anne Rice e não li Drácula ainda D:). Foi então que esse ano, eu resolvi dar mais uma chance e foi assim que li um dos melhores livros de suspense/policial/terror da minha vida. Estou falando do incrível Deixa Ela Entrar do escritor sueco John Ajvide Lindqvist.

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Estamos em Blackeberg no subúrbio de Estocolmo, na Suécia no ano de 1982. Oskar é um garoto de 12 anos, tímido, um tanto gorducho e com problemas de incontinência urinária  e que é perturbado regularmente por um grupo de meninos da escola (apanhando e sendo humilhado e ainda é obrigado a imitar um porco para que a punição não seja ainda mais severa – sério, aqueles moleques demônios são sádicos!); vive em um apartamento apenas com a mãe e o seu hobby favorito é colecionar recortes de jornal sobre serial killers, além de ter algumas fantasias bizarras sobre se tornar um.

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Oskar interpretado por Kåre Hedebrant na adaptação de 2008 “Låt den rätte komma in”

É em uma noite muito fria, enquanto está sozinho no parque do condomínio que ele avista uma garota, mesmo com a temperatura muito baixa, ela veste apenas uma camiseta e os pés estão descalços. A garota se chama Eli e é uma vampira de 200 anos. Ela vive no apartamento ao lado do de Oskar junto com Håkan, um pedófilo que a ajuda a conseguir sangue em troca de umas carícias de vez em quando; Eli não aparenta ter mais do que 11 anos. Além desses três, há inúmeros outros personagens que de um modo ou de outro vão cruzar os seus caminhos com o de Eli.

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Oskar e Eli interpretada por Lina Leandersson

O livro tem 500 páginas, mas quando termina você deseja mais; você quer continuar acompanhando e saber o que aconteceu em seguida. É difícil falar de um livro que me conquistou do começo ao fim e nem uma cena sequer que eu achei desnecessária. As cenas de suspense me fez perder as unhas, as de bullying me causaram um incomodo imenso, os diálogos bem construídos.

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Toda a história traz aquela questão de “quem é o monstro?”, pois o que mais assusta no livro são as pessoas, suas falhas de caráter e a capacidade de fazer algo ruim; mesmo Oskar não é um garoto tão bonzinho assim, pois algumas coisas que ele faz no decorrer da história e os seus pensamentos, são assustadores. E em alguns capítulos quando temos acesso à Johnny – um dos valentões – podemos ver as suas influências dentro de casa.

Apesar de ter inúmeros personagens, não ficamos confusos.

“- Eu… não mato gente.

– Não. Mas gostaria. Se pudesse. E você realmente faria se precisasse.

– Porque eu odeio todos eles. É uma grande…

– Diferença. É mesmo?

– É…

– Se você não fosse punido. Se apenas acontecesse. Se você pudesse desejar a morte deles e eles morressem. Então você não ia desejar?

– … sim.

– Isso. E só seria para o seu bel-prazer. Vingança. Eu faço isso porque preciso. Não há outro jeito.

– Mas é porque eles… porque eles judiam de mim, implicam comigo, porque eu…

– Porque você quer viver. Exatamente como eu.”

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Outra coisa que eu achei muito legal é o relacionamento construído por Oskar e Eli. O modo como os dois se comunicam por código morse através das batidas na parede e os diálogos entre eles que começa de forma minimalista e vai se tornando mais complexo. Os outros personagens também são fantásticos, adoro o núcleo da Virgínia, Lacke e dos outros amigos, que são todos de meia-idade e ninguém deu sorte na vida e acabaram se tornando beberrões. Até o próprio Håkan é interessante, quando entramos em sua cabeça e vemos a paixão louca que ele sente por Eli, em alguns momentos temos até dó e isso é uma sensação estranha quando consideramos que apesar dela ter 200 anos, sua aparência ainda é de uma criança; ainda assim, quando ele relembra algumas coisas que fez, relembramos o porquê Hakan não é boa coisa. xD

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Mais um ponto que me surpreendeu, foi o fato de não termos certeza sobre o sexo de Eli, pois Oskar a vê como uma menina, mas Håkan, por exemplo, a chama de senhor. E isso é revelado apenas no final. Tommy também é um grande personagem, um menino revoltado e que está sempre metido com roubos, começa com um papel pequeno e então cresce na trama, tendo um dos momentos mais FODA do livro. Aliás, há muitas cenas para deixar o leitor boquiaberto, como a cena no câmara frigorífica do hospital, ou a cena dos gatos no apartamento de Gösta, Håkan no armário da piscina pública e a própria cena final do livro.

Personalidades bem definidas, enredo surpreendente e sem pontas soltas, diálogos incríveis, muitas cenas marcantes que eu nunca vou esquecer e personagens únicos. Indicado não só para quem curte uma história de vampiro, como também para aqueles que curtem algo voltado pro policial – já que temos inúmeros momentos de investigação. O final deixou um pouco a desejar, mas não fez o livro perder os seus pontos. As adaptações são muito boas também, tanto a sueca quanto a americana, o único problema é que não temos dúvidas do sexo de Eli, mas o restante é muito bom também. Um livro adulto, com vários núcleos de personagens, suspense e terror de qualidade e uma história que flui facilmente.

É isso aí!

Beijo do Mágico e volte sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Deixa ela entrar…”

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