Instabilidade mental, Eagles, Kenny G e o lado bom da vida…

Hey!

Confesso que hesitei um pouco antes de pegar esse livro. Comprei-o em uma promoção no submarino junto com outro livro do mesmo autor (Perdão, Leonard Peacock), cujo qual entrou na minha lista de favoritos do ano passado, entretanto, ainda me sentia relutante ao ler o seu livro mais famoso. Li e não me decepcionei. Estou falando de O Lado Bom da Vida de Matthew Quick.

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” – A vida é dura, Pat, e os jovens têm de saber quão difícil ela pode ser…

– Por quê?

– Para que sejam solidários. Para que compreendam que algumas pessoas têm mais dificuldades do que eles e que uma passagem por este mundo pode ser uma experiência totalmente diferente, dependendo de quais substâncias químicas estão ativas na mente de um indivíduo”

Pat Peoples é um homem de 34 anos que finalmente vai sair da clínica de saúde mental na qual esteve internado, após ter feito algo de que não se lembra. Tudo que sabe é que sua atitude levou a esposa a pedir por um “tempo separados”, ele sabe que fez algo ruim, mas não consegue se recordar, pois o tempo na clínica, que ele chama de lugar ruim, fez com que ele apagasse. Agora, Pat é um homem mudado, viciado em exercícios – pois quer ficar em forma para a sua esposa – e que escolheu ser uma pessoa melhor, mais positiva e que acredita no lado bom da vida.

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Bradley Cooper como Pat e Jennifer Lawrence como Tifanny na adaptação de 2012

Por causa da sua instabilidade, ele volta a morar com os pais. Sua mãe é cuidadosa e quer sempre vê-lo bem, mas o pai se recusa a falar com ele, o que faz com que o clima da casa fique estranho. Enquanto tenta se redimir e se curar, Pat retoma velhos relacionamentos que tinha antes de ser levado para o lugar ruim; como a amizade com seu velho amigo Ronnie e é em um jantar entre amigos que ele conhece Tifanny, uma garota tão problemática quanto ele e que acabou se tornando instável após a morte do marido.

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“Olho para Tifanny, curvada em seu assento, os cotovelos na mesa […] Parece triste. Parece com raiva. Parece diferente de todas as outras pessoas que conheço – ela não consegue fingir aquela expressão feliz que os outros fingem quando sabem que estão sendo observados. Ela não precisa fingir comigo, o que me faz confiar nela, de certa forma”

Este foi o segundo livro de Matthew Quick que eu li e o que eu reparo muito no autor, é a sua capacidade de criar personagens diferentes e de certa forma, quebrados, instáveis e mentalmente questionáveis. Pat People é o narrador e nos conduz pelo livro e confesso que simpatizei rápido por ele, além de ter um pouco de pena da forma como ele acredita que as coisas serão, como as compara com um filme e espera um final feliz para ele – assim como todo ser humano, não há ninguém nesse mundo, não importa o quão pessimista seja, que não deseja (mesmo no fundo) ver as coisas sempre dando certo; conduzindo tudo a um final, mesmo que não perfeita, satisfatório.

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“Tenho trinta anos. Tenho cinco anos a mais do que deveria ter para mentir para mim mesmo e chamar isso de honra”

Apesar de sabermos a improbabilidade de alguns dos desejos de Pat se tornarem realidade, nos pegamos torcendo para que ele consiga se estabilizar novamente e voltar a ser um homem adulto, com consciência de tudo e a capacidade de saber onde pisar. Tifanny também é peculiar, continua usando a aliança mesmo após a morte do marido, é explosiva e não tem medo de dizer o que pensa, vive isolada e mora em um cômodo construído no fundo da casa dos pais. No meio de tantas pessoas, todas com boa intenção, sem dúvidas; ela é a única que consegue entendê-lo e a forma que o autor trabalha a amizade que se forma entre eles é de forma natural, respeitando suas personalidades, aos poucos. Tifanny começa o seguindo durante suas corridas diárias e depois, estão comendo cereais com passas em uma lanchonete qualquer, isso tudo falando muito pouco; mesmo assim você compreende a intensidade do momento e como aquilo é a tentativa de ambos de aderirem a normalidade de outrora.

“[…] a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal […]. E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.”

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Outra coisa que gostei no livro foi a relação do Pat com o terapeuta, Dr. Cliff; também gostei do modo como ele usou o futebol americano e o seu time favorito, Eagles, como uma forma de retomar as relações com o pai e o irmão. Mesmo o pai, de certa forma, continuando afastado e praticamente ignorando o filho (o que me causou muita raiva durante a leitura!).

Um ponto interessante, foi que em dado momento da história, o autor mostra algo importante: a total ignorância das pessoas em relação as doenças mentais e o modo que os outros duvidam disso, tratando como algo banal, sem importância e/ou não tão grave assim. Depressão é sim uma doença e merece ser tratada como tal, assim como outras que envolvem o lado mental da pessoa!

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“[…] desde que me lembro, estou dirigindo por uma estrada escura, passando por intermináveis faixas e linhas de autoestrada. Todo o restante foi apenas uma parada – a família, os Eagles, a dança, meus exercícios. Tenho dirigido em direção a você o tempo todo, querendo apenas uma coisa: nosso reencontro. […] Mas acho que você não entende quanto lutei por esse final feliz. Estou em ótima forma física, e agora resolvi praticar ser gentil em vez de ter razão. Não sou mais o homem com quem você foi casada por todos aqueles anos solitários. Sou um homem melhor.” Pat Peoples

Um ponto negativo foi o grande segredo do livro que era o porquê de Pat ter perdido a estabilidade mental e seu casamento, achei que após tantas expectativas durante toda a história e a minha imaginação à mil criando inúmeras possibilidades, o resultado final foi… sem sal. Talvez tenha sido justamente pelo fato deu ter criado centenas de possíveis causas… Entretanto, isso não muda a compreensão do impacto que isso gerou na vida de Pat (aliás, culpo muito a esposa dele!).

Outra coisa, que não é um ponto negativo, mas me irritou, foram os spoilers de vários livros. Talvez isso tenha me irritado porque eram todos livros que eu queria ler, como: O Grande Gatsby, A Letra Escarlate, A Redoma de Vidro e etc.

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“Estou lhe contando isso porque é importante compreender que Tommy era um homem bom. Ele não merecia morrer, e sua morte é prova cabal de que a vida é escrota, aleatória e arbitrária, até que se encontre alguém que faça tudo isso fazer sentido, mesmo que apenas temporariamente” Tifanny

Enfim, é um livro muito gostoso de ser lido, a escrita de Quick é sempre fluida e a história é bonita e nos permite fazer reflexões do quão tênue é a linha entre o são e o insano. Super indico, assim como indico o outro livro do autor Perdão, Leonard Peacock (quem sabe eu não faço uma resenha qualquer dia desses!).

Por hoje é só pessoal.

Beijo do Mágico e volte sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Instabilidade mental, Eagles, Kenny G e o lado bom da vida…”

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