#Mágico no Cinema: Toda Forma de Amor (Beginners)

Hey!

Hoje eu vou falar de cinema. Ano passado, durante uma daquelas noites em que você apenas senta em sua cama, encara o teto e não encontra nada pra fazer; a internet não tem graça e o livro não está tão interessante assim. Então você liga a TV e começa a explorar os canais: nada, nada, nada, nada e então para; o título do filme não chama atenção, mas a forma que o personagem narra te encanta de uma forma que quando você percebe, os créditos finais já estão subindo e o filme automaticamente entrou para a sua lista de favoritos. Estou falando do belíssima Beginners ou como foi traduzido aqui no Brasil, Toda Forma de Amor do diretor Mike Mills.

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Duração: 104 minutos

Ano: 2010

Diretor: Mike Mills

País: EUA

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O filme é dividido entre dois períodos da vida de Oliver (Ewan McGregor). O primeiro explora o relacionamento com o seu pai, Hal (Christopher Plummer) que aos 70 resolve se assumir gay após a morte da esposa; decidindo assim viver, pela primeira vez, do jeito que sempre sonhou e sem precisar esconder; ele vai arrumar um namorado, fazer novos amigos e se aventurar pelo mundo do qual se forçou a ficar alheio. Apesar do choque inicial, Oliver apoia bem a decisão do pai e em vários momentos do filme, temos acesso a curtos flashbacks da sua infância e de sua mãe. O problema é que dois anos depois de se assumir, Hal é diagnosticado com câncer. O segundo período, é algumas semanas depois que Hal morre. Oliver, ainda abalado pela morte de seu pai, acaba aceitando ir a uma festa de Halloween com os amigos e é lá que ele conhece Anna (Mélanie Laurent); uma atriz de vida cosmopolita que não aguenta ficar em um único lugar por muito tempo e os dois acabam se envolvendo.

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Esses dois períodos da vida de Oliver assim como os flashbacks se intercalam durante todo o filme, tornando-o bem dinâmico. Como disse na introdução, a forma que Oliver narra o filme é diferente, poética, delicada e apesar do tom dramático, há um humor sutil permeando pela história; como por exemplo, o cachorro, Arthur, em algumas momentos podemos ler legendas com os seus possíveis pensamentos.

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BR: Nós já estamos casados?

Depois de comprar o DVD e assistir os extras, descobri que o filme é baseado na história do próprio diretor. Os atores estão incríveis, o roteiro é quase impecável e as reflexões são inúmeras. O foco, não é o fato do pai ser gay ou o romance entre Anna e Oliver e sim sobre como devemos tentar ao máximo fazer as decisões certas e sermos fiéis a quem somos; antes de tudo, temos que procurar uma forma de sermos felizes e mesmo com as dificuldades, aprender a seguir em frente. A vida é curta para ficarmos presos a uma mentira, para evitarmos amar, sorrir.

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Não é um filme repleto de ação, mas é poesia pura. É uma reflexão feita de uma forma delicada e que eu super indico. Um dos meus filmes favoritos e que com certeza, vou assistir várias e várias vezes. Ah, aqui está o trailer: clique aqui!

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BR: Anna – Por que você está em uma festa se está triste?

Oliver – Eu estava escondendo tão bem. Como você descobriu?

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Por hoje é só pessoal!

Beijo do Mágico e Volte Sempre!

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#Artista da Semana: Evanescence

Hey!

Demorei muito para fazer esse post, simplesmente, porque achei difícil falar da minha banda favorita (isso parece estranho, eu sei). Talvez a banda que eu ouço há mais tempo – 8 anos!!! Estou falando do Evanescence.

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Primeira formação com Amy Lee, Ben Moody, John LeCompt, Will Boyd e Rocky Gray

Formada em 1998 por Amy Lee e Ben Moody (que se conheceram em um acampamento em 1995), a banda começou por causa dos interesses semelhantes entre os dois. Ainda em ’98 eles lançaram o Evanescence EP que continha 8 faixas e no ano seguinte, o Sound Asleep que continha 6 faixas, sendo duas instrumentais. Algumas de suas músicas começaram a tocar nas rádios regionais, o que fez com que eles ficassem conhecidos na cidade onde viviam. Em 2000, uma gravadora pequena (Bigwig Enterpresis) produziu o primeiro álbum deles – cujo qual a Amy considera apenas uma compilação de demos – Origin. O sucesso mundial só veio mesmo em 2003, quando eles assinaram com a Wind-up Records e lançaram o estrondoso Fallen que vendeu 17 milhões de cópias, provocando o BUM! na carreira deles. Desde então foi lançado o Anywhere But Home em 2004 – que é a gravação de um show feito em Paris e que contêm inúmeras imagens da turnê -, The Open Door em 2006 e o último álbum deles foi o autointitulado Evanescence de 2011. Além dessas músicas, a banda possuiu inúmeros demos e b-sides dos discos. Nesses 16 anos de carreira, a banda sofreu inúmeras alterações em sua formação, tendo Amy Lee como o único membro original.

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Formação de 2006, onde entrou Terry Balsamo e Tim MacCord

Sou suspeito para falar da banda. A primeira vez que entrei em contato com o Evanescence foi através da música My Immortal que eu ouvi na MTV em meados de 2006. A paixão foi instantânea e só aumentou desde então. O que faz eu ter todo esse amor, carinho e admiração por eles se deu ao fato de que as músicas se tornaram a minha forma de terapia em todos esses anos, como um refúgio. Devo também a eles o fato de eu ter começado a compor minhas próprias músicas, isso aconteceu por causa de uma entrevista da Amy onde ela dizia que a melhor forma de enfrentar os problemas é escrevendo sobre; também devo a ela o fato de ter me interessado por piano e hoje estudá-lo. Um dos pontos altos da minha relação com a banda foi que em 2012 eu finalmente tive a oportunidade de vê-los ao vivo e guardo essa lembrança como uma das mais importantes da minha vida. Sim, esse post é mais do que uma indicação musical e sim um depoimento de fã… Amo a banda, e, sendo favoritismo ou não (não dou a mínima), Amy Lee é a minha inspiração como artista completa.

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Como é muito difícil indicar somente 10 músicas, vou fazer o meu top 20 – sem ordem de preferência:

  1. Understanding
  2. Field Of Innocence
  3. Breathe No More
  4. Haunted
  5. My Last Breath
  6. Whisper
  7. Away From Me
  8. Hello
  9. Missing
  10. Farther Away
  11. Lose Control
  12. Lacrymosa
  13. End Of The Dream
  14. Secret Door
  15. Together Again
  16. Everybody’s Fool
  17. The Only One
  18. Taking Over Me
  19. Give Unto Me
  20. Snow White Queen
  21. Your Star
  22. Swimming Home
  23. Never Go Back

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Formação atual, agora com Will Hunt e Troy McLawhorn

Sim, eu roubei e não me arrependo disso xD

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Ainda faltou várias… Na verdade, creio que as únicas músicas que eu não gosto muito é a versão acústica de Imaginary que está no Evanescence EP e a Exodus. De qualquer forma, fica aqui um post que eu demorei pra fazer, mas simplesmente por falta de palavras. Evanescence é e sempre será minha banda favorita, não importa quantos anos se passem.

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Minha colagem com algumas fotos que tirei no show

Por hoje é só pessoal!

Beijo do Mágico e Volte Sempre!

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Ultraviolência Horrorshow!

Digo-lhes, Ó, meus irmãos, sobre um livro que foi como um toltchok contra a minha gúliver. Caros druguis, peço-lhes que peguem suas taças de moloko velocet e a degustem, pois é com grande radóstia que lhes apresento a minha resenha de Laranja Mecânica do escritor Anthony Burgess.

Hey! Incorporei totalmente o nadsat nessa introdução xD

Um breve aviso antes de começar: todo trecho que eu postar que tiver palavras em nadsat eu vou colocar o significado entre parênteses!

É isso, vamos lá, queridos druguis e espero que a resenha seja bem horrorshow…

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Alex tem quinze anos.

Apenas quinze anos, veja só!

E aos quinze anos, Alex é líder de uma gangue. Trajando roupas peculiares, o vocabulário impregnado pelo nadsat (palavras criadas pelo autor que mistura gírias inglesas com russo), o vício no moloko velocet ou leite-com (bebida à base de leite, misturada com bebidas alcoólicas e drogas) e adeptos da boa e velha ultraviolência. Junto com os seus druguis (companheiros/ parceiros) Alex espalha o terror por uma Nova Iorque bem diferente e amedrontada pela violência; entre os seus passatempos estão o roubo, a curiosa paixão por espancar pessoas diferentes na rua, invasão de casas e estupros.

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Alex interpretado por Malcolm McDowell na adaptação de 1970

Tudo muda para Alex quando um dia, após invadir a casa de uma senhora, ele acaba a matando e em seguida, é abandonado pelos seus comparsas que o amarram e deixam-no para trás. E é então que aos quinze anos, Alex é condenado a quatorze anos na prisão.

Só que dois anos mais tarde, ele acaba sendo escolhido como cobaia para uma nova experiência que promete retirar a violência dos criminosos e torná-los cidadãos de bem que seguem as leis e é após uma longa e dolorosa experiência que Alex é dado como “curado” e lançado na sociedade novamente, o único problema, é que os efeitos da experiência o tornam incapacitado de ter qualquer pensamento ou reagir com quesitos de violência, tornando-o forçadamente pacífico. Entretanto, o mundo lá fora não ficou menos cruel…

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O primeiro contato com Laranja Mecânica foi estranho, como mergulhar em águas desconhecidas que são mais profundas do que você imaginava; alguns passos e você já está submerso em um mundo estranho. As gírias usadas por Alex me confundiram bastante no começo, mas seguindo as dicas do próprio autor, li sem olhar o vocabulário no fim do livro; Anthony Burgess queria que o leitor sentisse a estranheza à primeira submersão no mundo que ele criou – não é tão futurista quanto o filme do Kubrick – e sim mostra o lado sombrio, um lugar mergulhado em uma penumbra de crimes e medo, com as pessoas evitando sair na rua à noite. O romance apesar de ter sido publicado em 1962 ainda se encaixa nos dias atuais e creio que será sempre atemporal, pois mesmo hoje em dia, também vivemos em um mundo violento e também sentimos um frio na barriga ao sairmos de nossas casas, porque sabemos que tudo pode acontecer – se em nossas próprias casas não estamos 100% seguros, imagina lá fora? Isso é mostrado no livro, apesar de não ser o foco do autor.

“O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e a meus druguis (companheiros/amigos/comparsas) e a todo o resto dos nadsats (adolescentes), e os burgueses starres (velhos) espreitavam dentro de suas casas, bebendo de transmissões mundiais glupis (burro/imbecil)

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O que eu mais gostei no livro é que a forma que Alex nos conduz é como se estivéssemos sentados com ele conversando, o modo que ele se dirige ao leitor nos deixa mais próximos do personagem e essa aproximação com o personagem nos causa uma sensação ambígua, pois apesar de simpatizarmos com o personagem, assim que nos deparamos com as coisas que ele faz, temos um conflito interno. Alex não é uma pessoa boa, ele é cruel e sádico, mas ao mesmo tempo é incrivelmente cativante.

“Bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem” Chapelão da Prisão

Quando ele é exposto ao tratamento para “tirar a maldade dele”, nos sentimos mal por ele, já que o tratamento de aversão é extremamente doloroso. E em seguida, vemos um Alex diferente, veja bem, ele só se tornou “bom” por que fora obrigado, já que sempre que tem algum impulso violento, ele sente fortes dores e náuseas; apesar disso, ele não mudou, por dentro ele continua tendo os seus desejos violentos, ele ainda é cruel, só que agora não pode fazer nada. E é aí que toda a questão do livre-arbítrio é tratada, o ser humano deve ter o poder de escolha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado e sim, terá as consequências e ele terá que lidar com isso. Nada imposto a alguém é sincero. Esse tratamento é apenas um placebo, criando a sensação de que a sociedade está protegida, entretanto, o que fizeram foi apenas criar um ser mecânico, morto e esse tratamento não é infalível, então, a partir do momento que isso for revertido, as cobaias ainda serão pessoas ruins.

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“Mas, irmãos, esse negócio de ficar roendo as unhas dos dedos dos pés sobre qual é a causa da maldade é que me torna um maltchik (garoto) risonho. Eles não procuram saber qual é a causa da bondade, então por que ir à outra loja? Se os plebeus são bons é porque eles gostam, e eu jamais iria interferir com seus prazeres, e o mesmo vale para a outra loja. E eu frequento a outra loja. E mais: maldade vem de dentro, do eu, de mim ou de você totalmente odinokis (sozinhos), e esse eu é criado pelo velho Bog ou Deus, e é seu grande orgulho e radóstia (alegria). Mas o não eu não pode ter o mau, quer dizer, eles lá do governo e os juízes e as escolas não conseguem permitir o mau porque não conseguem permitir o eu. E não é a nossa história moderna, meus irmãos, a história de bravos eus malenks (pequeno) combatendo essas grandes máquinas? Estou falando sério sobre isso com vocês, irmãos. Mas eu faço o que faço porque gosto de fazer”

Concluindo: todos devem ter o direito de escolher e depois lidar com as consequências; tudo que é imposto, transforma a pessoa apenas em um bicho circense com medo da chibata. Ensinar alguém a ser violento com violência é tão arbitrário quanto ensinar alguém que é errado roubar, roubando-a. A maldade é sim uma escolha, assim como a bondade, mas não significa que através de métodos não incisivos, não possamos ensinar qual o melhor caminho a se seguir; e mesmo que alguém tenha escolhido o caminho errado, ela pode, mais tarde, mostrar o desejo de se redimir (veja bem que, mesmo alguém que cometeu atrocidades, pode se arrepender mais tarde, se os outros irão perdoá-lo ou não, isso já é outra história que não se encaixa aqui).

“Ele não tem nenhuma escolha, tem? A preocupação consigo mesmo, o medo da dor física, o levaram a esse ato grotesco de auto depreciação. Sua insinceridade estava clara. Ele deixa de ser um malfeitor. Ele também deixa de ser uma criatura capaz de escolha moral.”

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O autor também faz um comentário interessante no seu ensaio A Condição Mecânica escrito em 1973:

“O que tentei argumentar, com o livro, era o fato de que é melhor ser mau a partir do próprio livre-arbítrio do que ser bom por meio de uma lavagem cerebral científica. Quando Alex tem o poder da escolha, opta apenas por violência. Entretanto, existem outras áreas de escolha, como ilustra seu amor pela música. Na edição inglesa do livro (mas não na norte-americana, tampouco no filme), há um epílogo que mostra Alex crescendo, aprendendo a desgostar de seu antigo estilo de vida, pensando no amor como algo maior do que uma forma de manifestar violência; até mesmo imaginando-se como marido e pai. Tal caminho sempre esteve aberto; ele, enfim, opta por segui-lo. Antes uma laranja podre, ele agora se preenche com algo mais próximo da doçura humana decente.”

Laranja Mecânica é uma história com mais a oferecer do que parece e super indicado; como disse anteriormente, o linguajar pode causar estranheza no começo, mas depois você se acostuma e mesmo sem olhar o vocabulário no final do livro, você consegue descobrir o significado das palavras apenas pelo contexto. Alex é um personagem muito bem construído e deliciosamente complexo e Anthony Burguess é um escritor incrível. O filme dirigido por Stanley Kubrick também é incrível e a atuação de Malcolm McDowell como Alex está impecável, senti falta apenas de duas cenas no filme, mas não é nada que atrapalhe.

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Foto tirada durante a filmagem do filme

Por hoje é só pessoal!

Um beijo do Mágico e volte sempre!

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