Azul é a cor mais quente…

Hey!

Estou aqui para falar sobre uma HQ que nos últimos meses me chamou atenção, aguçou a minha curiosidade, mas só agora eu pude ler. Estou falando do quadrinho Azul é a Cor mais Quente da autora Julie Maroh.

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Sou um grande fã do cinema francês, creio que eles estão entre os melhores para criar histórias delicadas e cheias de poesia. Então, a primeira coisa que me chamou atenção em Azul é a Cor mais Quente foi o filme – que se tornou bem badalado na internet e até onde eu sei, foi um sucesso e recebeu inúmeras críticas positivas. Como o leitor cri-cri que sou, assim que descobri a existência do quadrinho, decidi que iria lê-lo primeiro e só depois ver o filme (já li o quadrinho, mas ainda não vi o filme). Comprei-o e terminei no mesmo dia! Tive algumas experiências com filmes LGBTs, os que eu assisti foram: Nordzee Texas (filme holandês lançado em 2011), o The Man Who Loved Yngve (filme norueguês lançado em 2008), o My Own Private Idaho (estrelado pelo Keanu Reeves e o River Phoenix, lançado em 1991) e o Suicide Room (filme polonês, mas cujo o foco é a depressão, bullying e o isolamento social); além do curta brasileiro Eu Não Quero Voltar Sozinho e um longa, também brasileiro, chamado O Beijo do Asfalto (lançado em 1988 e estrelado por Ney Latorraca e Tarcísio Meira); no restante, vi esse universo aparecer em séries como Skins, Glee, Modern Family e etc. Porém, percebi que só havia visto filmes sobre amor entre homens e nunca entre mulheres, e isso também me levou a ficar com mais curiosidade de assistir/ler Azul é a Cor mais Quente. Ok, agora vamos a história!

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Cleméntine – que se chama Adèle no filme – interpretada por Adèle Exarchopoulos e Emma interpretada por Léa Seydoux.

Inicialmente a premissa parece um tanto simples: Cleméntine, aos dezesseis anos, é apenas uma adolescente como tantas outras, estuda, tem seus amigos e está começando a se envolver com um rapaz do último ano. É em um dos seus encontros com ele, que ela acaba vendo na rua uma menina de cabelos azuis que chama muito a sua atenção. A partir dessa breve troca de olhares, todos os seus pensamentos são rodeados por ela, assim como seus sonhos. Um dia, após aceitar o convite de seu amigo, Valentin, para ir a um bar gay, Claméntine reencontra a garota de cabelos azuis e a a partir desse momento que toda a sua vida é virada de cabeça para baixo e que ela começa a questionar as coisas.

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Os pontos positivos da história foi o fato de trabalhar a auto aceitação da personagem sobre quem ela é e o que realmente sente. Apesar de ser confrontada diariamente pelos sentimentos e desejos inebriantes, mais fortes do que o controle que ela pode exercer sobre si mesma, Cleméntine continua negando sua sexualidade, dessa forma criando um conflito interno. Quando nos aprofundamos melhor no assunto, sabemos o quão difícil pode ser quando a pessoa percebe que se sente atraída pelo mesmo sexo, indo contra todos os dogmas da sociedade. E é aí que entra a segunda parte, que é o preconceito dos outros! Muito antes de Cleméntine sequer iniciar sua relação com Emma, ela já perde alguns “amigos”, pois estes suspeitando de sua homossexualidade, acham “nojento”, “pecaminoso” e “abominável” (há essa suspeita porque eles descobrem que ela foi à um bar gay e no outro dia, ao verem Emma esperando por ela na porta da escola, eles tiram essa conclusão). Há outros momentos como esse ao decorrer da história. Além disso, há o preconceito que Cleméntine sente por si mesma, pois continua escondendo a relação de todos – com exceção de Valentin – e vez ou outra nega de pé junto ser lésbica.

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A história pode trazer várias reflexões do tipo e essa é a parte interessante. Uma coisa que me incomodou foi a repetição dos clichês de filmes e histórias GLS; a insistência de adicionarem tragédias desnecessárias, ao invés de mostrar aos leitores que se identificarem com as personagens que é possível ter um final feliz mesmo não se encaixando no conto de fadas padronizado (a tragédia não é bem um spoiler já que você descobre na primeira página da HQ, óbvio que não vou mencionar que tragédia é essa, porque aí sim, seria um spoiler). Isso me incomodou e acabou me esfriando no fim da história.

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PT-BR: “Queria te ver de novo”

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Talvez o fato de eu ter ido com muita sede ao pote e com as expectativas lá no alto, tenha colaborado com a minha decepção ao terminar a HQ. Entretanto, ainda indico a história e vale a pena sim ser lida pelas reflexões que traz. Ainda pretendo ver o filme e talvez faça algum comentário aqui sobre.

Então, é isso!

Um beijo do Mágico e Volte Sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Azul é a cor mais quente…”

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