Ah, o amor nerd!

Hey!

Não costumo ler muitas histórias de amor, mas vez ou outra acabo arriscando. Entre livros quase diabéticos, é sempre bom ter uma surpresa positiva e mais realista. Apesar de odiar o termo, não consegui escolher outra palavra para definir o relacionamento dos personagens do que fofo; sério, tentei outras palavras, mas só essa se encaixou. Bem, estou falando do livro Eleanor & Park da escritora Rainbow Rowell (sério, o nome dela é muito legal!).

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Primeiro, obrigado Rainbow Rowell por criar personagens principais com uma aparência normal; nada daqueles super modelos que só encontramos nas capas de revistas. A história é narrada sob dois pontos de vista, o de Eleanor e o de Park.

Eleanor voltou recentemente para casa, após ter tido uma briga com o padrasto e ficar afastada; agora, finalmente, pode ficar ao lado da mãe e dos irmãos, mesmo sendo obrigada a conviver diariamente com o homem abusivo e explosivo que detesta. Eles não tem muito dinheiro e mal podem se sustentar, assim, a comida não é farta e Eleanor e os irmãos precisam usar roupas usadas. Voltando ao convívio familiar, morando em uma nova cidade com eles, a garota precisa recomeçar e assim vai para um escola nova. Logo no ônibus, ela já enfrenta os olhares agressivos dos outros e as piadinhas, já que ela é bem fora dos padrões. Além de usar roupas esquisitas, está acima do peso e possui uma imensa cabeleira ruiva e encaracolada; sendo impossível passar despercebida. Acaba sentando-se ao lado de Park, que não muito contente, acabou cedendo o lugar ao seu lado para a novata – mesmo não gostando nada disso.

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Park é um garoto quieto e que prefere ficar no seu espaço, apesar de ser diferente dos outros, conquistou respeito o bastante para que o deixem em paz. Fã alucinado de quadrinhos e rock n’ roll; ele é uma mistura de coreano com irlandês – o que o deixa com uma aparência bem diferenciada, além de ser baixinho. Vive numa família um tanto mais tranquila, não é rico, mas vive uma vida estável e sem grandes dificuldades. No começo, também fica incomodado com Eleanor e deixá-la sentar-se ao seu lado foi uma decisão que ele não gostou muito, pois demorara a conseguir um lugar só para ele.

E é quase sem dizer uma palavra que eles começam a se aproximar. Lentamente. Park percebe que Eleanor sempre acaba lendo o que ele está lendo – esticando o pescoço disfarçadamente. Após isso, ele começa a trazer quadrinhos para ela e os entrega sem dizer uma palavra e é com o relacionamento silencioso, quase estranho, que ambos se aproximam cada vez mais. Primeiro quadrinhos, depois músicas, algumas poucas palavras e de repente, já não conseguem mais se desgrudar.

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Apesar de todas as doses de fofura, ainda classifico o livro como uma história triste; apaixonante, mas triste. Os problemas na escola e em casa aumentam e, além do romance, Rainbow fala bastante sobre os ambientes familiares e suas influências sobre os filhos; como isso traz angústia para todos os envolvidos. Eleanor é uma garota insegura e que se sente rejeitada e acaba encontrando em Park uma escapatória dos problemas. O ritmo em que a autora conta a história, é ágil e flui muito bem. O que eu mais gostei é que ela desenvolve o romance dos dois de uma forma realista, quase dolorosa, como é na vida real. Não há contos de fadas. Ambos tem os seus defeitos. Ele não é um príncipe, nem ela uma princesa, porém, ambos se completam.

Agora, caminhando para o lado geek do livro: UAU! Senti uma conexão quase imediata com o livro. Há inúmeras – inúmeras – referências a cultura pop. Adoro os momentos quando estão discutindo sobre quadrinhos ou música, isso deixa o clima ainda mais jovial. É simplesmente delicioso! (Além do mais, o leitor termina o livro com uma listinha de coisas que ficou curioso para escutar/ler).

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Ah sim, preciso comentar: há uma cena em que o Park resolve aderir a uma aparência mais rockstar, com direito até a delineador e a reação do pai dele foi quase igual a do meu na minha fase “quero ser igual ao Gerard Way”. Ha ha ha.

Enfim, é uma história recomendadíssima! Um livro jovem adulto de qualidade, que fala de amor sem soar piegas e que traz uma profundidade muito maior. É sobre família, aceitação e a eterna busca pela nossa identidade na adolescência. Rainbow nos traz todas as vertentes, todos os lados da moeda e faz com que isso flua deliciosamente, com uma escrita leve e bem-humorada e apesar do que eu disse sobre ser também triste, a autora não recorre ao drama excessivo!

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Então é isso!

Um beijo do Mágico e Volte Sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

2 comentários em “Ah, o amor nerd!”

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