Os Contos de Fadas

Hey!

Os contos de fadas sempre me acompanharam desde a mais tenra idade. Meu primeiro contato com essas histórias atemporais foi através das animações da disney e de um programa antigo da TV Cultura chamado Contos de Fadas, e desde sempre me encantei com a magia presente neles além das lições; também li inúmeros livros infantis com esses contos adaptados. Nos últimos anos, foi disseminado pela internet a informação de que as histórias originais eram mais sangrentas e violentas do que aqueles que crescemos ouvindo. Como hoje em dia, precisamos duvidar do que lemos na internet, resolvi ler os originais por conta própria e tirar minhas próprias conclusões. Então, nesse post vou mostrar quais são os contos que realmente tem cenas violentas ou finais bizarros e quais não os tem…

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Essa edição linda e em capa dura da editora Zahar reúne os contos dos irmãos Grimm, Charles Perrault, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, Hans Christian Andersen, Joseph Jacobs e um outro anônimo. Ao todo são vinte contos com o texto integral, ou seja, nenhuma adaptação, foi traduzido diretamente do original.

Bem, vou por partes e comentar um autor de cada vez começando pelos mais conhecidos e falados: Jacob e Wilhelm Grimm. Entre suas histórias mais famosas estão: A Bela Adormecida, Branca de Neve, Rapunzel e João e Maria; além da versão deles de Chapeuzinho Vermelho. Há alguns anos, vários sites e páginas do facebook espalham que os contos originalmente escritos pelos irmãos Grimm eram recheados de bizarrice, sangue, estupros e outras coisinhas nada ortodoxas. Eu ultimamente duvido da maioria das coisas postadas principalmente por páginas no facebook que carecem de uma pesquisa mais aprofundada e apenas postam a primeira coisa que acham sem se questionar se é verdade ou não. Sim, há algumas coisas estranhas, por exemplo, quando a rainha exige os pulmões e o fígado de Branca de Neve para então comê-los no jantar, além do castigo que teve no final, sendo obrigada a calçar sapatos feitos de ferro e dançar sobre a brasa. E claro, em João e Maria temos a mãe do ano que resolve largar os filhos sozinhos em uma floresta para morrer. E é isso gente! Esqueçam as histórias bizarras sobre cadáveres estuprados, João e Maria devorando a bruxa ou Chapeuzinho Vermelho praticando canibalismo, essas versões são histórias da carochinha. Aliás, a versão dos irmãos Grimm para Chapeuzinho Vermelho é exatamente aquela que conhecemos, com o caçador salvando-as mais tarde (diferente da versão de Perrault da qual vou comentar daqui a pouco). No final, os irmãos Grimm são os donos das histórias com mais “e viveram felizes para sempre”.

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Agora, um autor que pode sim, ser considerado bizarro é Charles Perrault, escritor dos contos: Cinderela, Pele de Asno, O Gato de Botas, O Pequeno Polegar, Barba Azul, além da sua versão de Chapeuzinho Vermelho. Com exceção de Cinderela que é a mesma historinha que conhecemos, com final feliz e tudo (sim, nada daquela versão contada por aí das irmãs cortando os próprios dedos para calçar o sapatinho), as outras tem momentos chocantes. Em Pele de Asno temos uma tentativa de incesto, onde o pai tenta casar com a própria filha – que acaba fugindo. O Gato de Botas que ensina que roubar e enganar as pessoas é muito legal. O Pequeno Polegar eu não consegui gostar por ser apenas uma versão esquisita de João e Maria (não posso afirmar nada, pois não sei qual veio primeiro). Agora, dois contos realmente me deixaram chocado. O primeiro foi Barba Azul que conta a história dessa esposa que se casa com um estranho homem de barba azul e ao se mudar para sua casa recebe o aviso de nunca tentar abrir a porta do porão, então – ensinando que a curiosidade realmente matou o gato – a mulher acaba xeretando e descobre os cadáveres de todas as antigas esposas pendurados na parede por ganchos. E claro, sua versão de Chapeuzinho Vermelho onde o lobo devora a menina e fim. O curioso é que no final de cada conto, Perrault nos deixava um versinho com uma lição de moral e a de Chapeuzinho, me fez pensar que o conto é um alerta para as garotas sobre os “lobos em pele de cordeiro”:

“Vemos aqui que as meninas,

E sobretudo as mocinhas

Lindas, elegantes e finas,

Não devem a qualquer um escutar.

E se o fazem, não é surpresa

Que do lobo virem o jantar.

Falo “do” lobo, pois nem todos eles

São de fato equiparáveis.

Alguns são até muito amáveis,

Serenos, sem fel nem irritação.

Esses doces lobos, com toda educação,

Acompanham as jovens senhoritas

Pelos becos afora e além do portão.

Mas aí! Esses lobos gentis e prestimosos

São, entre todos, os mais perigosos.”

Uma coisa que eu percebi nos contos de Perrault e dos Grimm é que naquela época acreditava-se que a única forma de ser feliz era se tornando rico ou se casando (com um homem rico), ou seja felicidade = dinheiro; creio que isso deve-se ao fato de naquela época não existir classe-média, ou você era pobre e miserável, ou você era rico – nada de meio-termo.

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Hans Christian Andersen tem dois dos contos mais tristes que eu já li. Nessa minha edição os contos dele que aparecem são: A Roupa Nova do Imperador, O Patinho Feio, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Pequena Sereia e o A Princesa e a Ervilha. Bem, A Roupa Nova do Imperador é o meu conto favorito, pois os dois charlatões que fingem costurar a tal roupa que não pode ser vista por quem não é digno, ensinam ao leitor como funciona o ego das pessoas, pois ninguém queria admitir que não enxergava absolutamente nada, todos tinham a necessidade de fingir para não serem tachado de burros e no final, foi preciso uma criança gritar no meio do desfile “O imperador está nu” para todos perceber que foram enganados. O Patinho Feio é a mesma história que conhecemos, talvez só um pouco mais longa e o A Princesa e a Ervilha é uma história curta e bem patética, prefiro ignorar. A Pequena Vendedora de Fósforos é simplesmente lindo, além de muito triste e gerou um curta belíssimo da Disney que você pode assistir aqui. Agora vamos para o que mais me chocou: A Pequena Sereia. A história da Ariel sempre foi a minha favorita da Disney, além de ser o primeiro musical que eu assisti na minha vida (falo mais sobre isso no meu post sobre animações), porém o conto original me assustou. Como Ariel é a sereia com a mais bela voz do reino do mar, a bruxa a pede em troca, assim decepando a língua da menina. Além disso, após ela conseguir as pernas, toda vez que pisa no chão tem a sensação de que centenas de facas afiadas penetram na sola dos pés e a coisa não para por aí, se Ariel não conseguir conquistar o príncipe ela morre e como tudo nesse conto é lindo, o rapaz acaba se casando com outra. As irmãs de Ariel preocupadas, oferecem os seus cabelos a bruxa em troca de solução para que a garota volte a ser uma sereia, só que a único meio de voltar a ser o que era é cravando uma faca no peito do príncipe; estando perdidamente apaixonada por ele, Ariel não consegue matá-lo, tendo assim o seu horrível destino cumprido.

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Há também nesse livro dois contos de Joseph Jacobs: João e o Pé de Feijão e A História dos Três Porquinhos. A história de João é a mesma que ouvimos na infância, já em Os Três Porquinhos uma coisa me surpreendeu: tanto o porquinho da casa de palha quanto o da casa de madeira são devorados pelo lobo (que mais tarde acaba virando o jantar do porquinho da casa de tijolos).

E por último há mais dois contos, A Bela e a Fera, escrito por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont que é lindíssimo e eu super recomendo, aliás, há uma animação bem fiel a esse conto que eu assisti muitas vezes quando era criança – sem ser a da Disney -, mas não consegui mais achar em lugar algum e isso me perturba até hoje (:(). O conto que encerra o livro é um em que não se sabe quem foi o autor: A História dos Três Ursos, que conhecemos aqui como Cachinhos Dourados e os Três Ursos. Esse conto em particular me fez perceber que o grande vilão da história é Cachinhos Dourados e não os ursos; estes não desconfiavam de ninguém, sempre deixavam a porta aberta e confiavam em todos, então ter a sua casa invadida, seu mingau tomado, sua cadeira quebrada e suas camas violadas, serviu como aprendizado para os ursos.

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Mesmo com algumas bizarrices, os contos de fada sempre estarão vivos no imaginário das pessoas e serão sempre passados de pais para filhos. Seja a versão crua e original, seja a adaptada s lições continuam presentes em cada história mesmo na forma menos ortodoxa. Quero que esse post sirva para que algumas dúvidas sejam esclarecidas à respeito da versão original de certos contos de fadas e para que as pessoas parem de acreditar em tudo sem nem ao menos parar para pesquisar.

Para os interessados, há uma edição muito bonitinha com todos os contos dos irmãos Grimm e a mesma editora, lançou outros com todos os contos de Perrault e de Andersen… Eu tenho a dos Grimm:

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Por hoje é só, pessoal!

Um Beijo do Mágico e Volte Sempre!

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

6 comentários em “Os Contos de Fadas”

  1. Belo texto. Mas tenho que discordar num ponto.
    “Com exceção de Cinderela que é a mesma historinha que conhecemos, com final feliz e tudo (sim, nada daquela versão contada por aí das irmãs cortando os próprios dedos para calçar o sapatinho)”
    Procura pela versão dos Irmãos Grimm (sim, eles também escreveram uma versão da Cinderela), na qual constam estes elementos. Eu lembro que li esta versão do conto quando eu era criança, na biblioteca da escola (quando nem sonhava o que viria a ser internet).

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  2. Ah, que post lindo, Bruh! Contos de Fadas são amor. ❤ (apesar de eu simplesmente odiar alguns aka Cinderela) Passei a infância lendo esses contos pros meus primos e só sei que preciso de mais primos novinhos pra reler. Hauhauh'.
    Essas versões originais me deixem muito curiosa, li a versão da Chapeuzinho há muito tempo atrás e fiquei fascinada. E agora que cê explicou as versões, sei que li a verdadeira mesmo. E essas edições da Zahar são lindíssimas, pretendo comprar e ler. Também vi algumas histórias aí que nunca tinha ouvido falar e me deixaram interessada.
    Por sinal, comprei um livro de contos de uma autora brasileira super fofa que conheci e ela fez um conto baseado em "A Pequena Vendedora de Fósforos", só que o conto é terror e ficou muito bom! Super recomendo. O livro se chama "Fábulas ao Anoitecer" e tem outros inspirados no Poe e etc.

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