O Século XX definido em Filmes! [Parte 1]

Hey!

Eu sei que desapareci nessa metade do mês de julho, mas resolvi aproveitar as férias para colocar os filmes e séries em dia. Inspirado por esses vários filmes que assisti – uns incríveis e outros nem tanto – resolvi fazer essa lista do século XX definido em filmes. Separei a lista por década. Futuramente eu pretendo fazer uma também do século XXI (nesse caso indicando um filme lançado em cada ano).

Como a lista ficou muito grande, resolvi dividi-la em duas partes. Hoje estou postando filmes do início da década de 1900 até a década de 1950 e na próxima vez, eu posto a partir da década de 1960 até o final da década de 1990. Então, vamos lá!

DÉCADA DE 1900

VIAGEM À LUA (1902)

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George Méliès revolucionou o cinema e foi o primeiro diretor a investir em filmes de fantasia e grandes efeitos especiais. Nos últimos anos – merecidamente – ele voltou a ser conhecido graças ao filme A Invenção de Hugo Cabret. Entre os filmes dele, resolvi escolher o mais conhecido Viagem à Lua que conta a história de cinco cientistas que vão à lua em um foguete e lá encontram criaturas estranhas. Com apenas 12 minutos, ainda impressiona. Principalmente quando nos lembramos da época em que foi lançado!

DÉCADA DE 1910

VIDA DE CÃO (1918)

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Um excelente curta do Chaplin, onde – acompanhado de um cachorrinho de rua – ele entra em um bar onde encontra uma garçonete maltratada e humilhada pelo patrão e com sua típica forma atrapalhada, ele decide tirá-la de lá.

DÉCADA DE 1920

O GAROTO (1921)

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Bem, ao lado de Tempos Modernos é o meu filme favorito do Chaplin. Nessa história, uma mãe solteira acaba abandonando o seu filho (lembrando a pressão que as mães solteiras devem ter sofrido naquela época). A criança acaba sendo encontrada por Carlito que sem conseguir encontrar quem ficasse com o menino, resolve criá-lo à sua maneira – mesmo sendo pobre. Bem, o ator mirim que interpreta o menino é incrível e parece um mini Chaplin até no jeito de andar. É engraçado e tocante ao mesmo tempo. Super recomendo!

STEAMBOAT WILLIE (1929)

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Não posso deixar de fazer uma menção honrosa ao Steamboat Willie que foi o primeiro desenho de sucesso do Walt Disney e o primeiro passo ao mundo maravilhoso criado por esse gênio.

DÉCADA DE 1930

MONSTROS (1932)

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Primeiro tenho que dizer que Monstros é um dos filmes da minha vida, sou apaixonado! Então, a história se passa em um circo cujo um dos principais espetáculos é com o seu show de horrores (eram bem comuns naquela época e usavam pessoas com algum tipo de anomalia para entreter o público). A trapezista Cleópatra é uma mulher bela e fisicamente normal e é constantemente cortejada por Hans, um anão que faz parte do espetáculo; ela se interessa por ele ao descobrir que o rapaz herdou uma grande fortuna. Junto com o seu amante, Hércules (um grandalhão que exibe sua grande força) arquitetam para que ela case com Hans e depois o envenene, ficando assim com sua fortuna. O problema é quando durante a festa de casamento, ela destrata os amigos de Hans (outros membros do circo dos horrores); assim aumentando a desconfiança. Quando descobrem sobre a armação de Cleópatra, eles se reúnem para se vingar.

Sempre me irrita quando colocam esse filme em lista de “filmes de terror”, pois não é nada disso. A mensagem mais legal é ver o quanto essas pessoas “estranhas” aos padrões, possuem um bom coração e são amigos muito fiéis e que os dois considerados normais e belos naquele show são os reais monstros.

ACONTECEU NAQUELA NOITE (1934)

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Depois desse filme, todas as outras comédias românticas se tornaram triviais para mim. É simplesmente a minha favorita. Conta a história de uma garota milionária foge do pai para se casar e entra em um ônibus, é lá que ela conhece um repórter esperto e cheio de ironias e é entre momentos de brigas e momentos doces, que eles começam a se aproximar. É um filme delicioso de acompanhar e a química entre Gable e Colbert é perfeita!

O PICOLINO (1935)

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É musical. Tem Fred Astaire. Tem Ginger Rogers. Já tem a fórmula perfeita. Está na minha lista de musicais favoritos! Amo as músicas, a coreografia e a história. É sobre um dançarino que entre suas brigas com a mulher do andar de baixo, acabam criando uma conexão. O problema é a confusão quando ele usa o nome do amigo cuja esposa é conhecida da mulher do andar de baixo. É uma comédia musical deliciosa!

TEMPOS MODERNOS (1936)

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Sim, Charlie Chaplin de novo! O que eu posso fazer se o cara era um gênio? Tempos Modernos é o meu filme favorito dele. Assisti pela primeira vez graças ao meu professor de sociologia que antes de nos passar um trabalho, exibiu o filme. Desde então, fiquei encantado pela arte de Chaplin. Bem, o filme conta a história de Carlito, um operário de uma linha de montagem que já está sofrendo efeitos colaterais pelo trabalho feito de forma mecânica. O chefe visando aumentar a produção (pouco se importando com o bem estar dos funcionários) escolhe Carlito para testar uma nova máquina revolucionária que promete alimentar o operário sem que ele precise interromper o serviço. Isso causa efeitos terríveis em Carlito, o levando a loucura. Ele passa um tempo em um sanatório e quando sai está desempregado. Em uma grande confusão ele acaba sendo preso confundido com um agitador comunista. É uma excelente comédia e uma excelente crítica!

BRANCA DE NEVE E O SETE ANÕES (1937)

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“Quem quiser realizar aquilo que sonhou, basta o eco repetir o que você falou. Um dia (Um dia). Eu serei feliz. Sonhando (sonhado). Assim (assim)” Mesmo tendo sido lançado em 1937 marcou a minha infância e a de muitas outras pessoas. Um clássico eterno! Nem preciso explicar a história, não é?

O MÁGICO DE OZ (1939)

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Mais um clássico maravilhoso que apesar de ter sido lançado na década de 30 também fez parte da minha infância. Lembro de ter assistido pela primeira vez por que uma das mulheres que fazia as unhas com a minha mãe me emprestou. “Somewhere over the rainbow”

DÉCADA DE 1940

PINÓQUIO (1940)

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A clássica história do boneco de madeira que queria ser menino de verdade. Existe alguém nesse mundo que não conheça?

FANTASIA (1940)

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Bem, Fantasia não se trata apenas de uma única história, mas sim de vários curtas usados para ilustrar icônicas peças clássicas. Então, indico para todos que gostam de música clássica!

CASABLANCA (1942)

tumblr_mki3l0SgPF1qioqu5o1_500Rick é o dono de um famoso bar na Marrocos Francesa durante a segunda guerra mundial. A cidade também serve de rota de fuga para aqueles que estão fugindo dos nazistas e também permite que essas pessoas comprem passe livres à preço bem salgado. E é nesse lugar que Rick reencontra Ilsa uma antiga paixão que foi interrompida no passado. Casablanca é um filme icônico com roteiro e atuações incríveis!

GILDA (1946)

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A história se passa na Argentina. Johnny Farrel é um apostador e um dia, tem a sua vida salva por um pistoleiro dono de um casino chamado Ballin Mundson; mostrando-se grato, Johnny oferece os seus serviços à Ballin – servindo-o fielmente. A amizade de ambos é abalada quando Ballin volta de uma viagem casado com Gilda, uma mulher que Johnny já conhecia e detestava por algum motivo.

Eu me apaixonei pelo filme de imediato. Atuações incríveis, Rita Hayworth atua de forma que nos vemos hipnotizados, a trilha sonora é maravilhosa, os atores tem química e o filme carrega aquela combinação deliciosa e sem exageros de amor e perigo.

DÉCADA DE 1950

CINDERELA (1950)

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Cinderela, Cinderela. Noite e dia Cinderela.” Não adianta, sempre que eu penso nesse filme, a música começa a tocar automaticamente na minha cabeça.

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (1951)

tumblr_mtptoaVAYi1qa70eyo1_r1_500Amo o livro. Amo o filme. Amo a Disney. Hahahaha. Todo esse mundo maluco no qual Alice vai parar é extremamente encantador e repleto de personagens excêntricos. “Um bom desaniversário para nós!”

CANTANDO NA CHUVA (1952)

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MELHOR. MUSICAL. EVER. Eu tenho uma lista de filmes e séries que me curam da tristeza, do baixo astral e do tédio. E no topo da lista está esse filme (a série Friends também está na minha lista). O filme se passa no final dos anos 20 quando saiu o primeiro filme falado (“O Cantor de Jazz”) e isso causou um alvoroço nos outros estúdios que produziam filmes mudos ao notarem o sucesso, forçando-os a se modernizar. O filme acompanha um grande ator de filmes mudos que agora precisa readaptar todo um filme que já tinha gravado ao notar que a atriz principal, é terrível em um filme falado; sua grande ideia, graças ao seu amigo e uma garota que conhece, é transformá-lo em um grande musical. Atuações excelentes. Músicas maravilhosas. E um dos filmes mais icônicos de todos os tempos. “I’m singin’ in the rain. Just singin’ in the rain. What a glorious feeling. I’m Happy again”.

JUVENTUDE TRANSVIADA (1955)

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A história se divide entre três personagens. Jim Stark é um garoto rebelde que faz seus pais mudarem de cidade em cidade por causar problemas, sua principal revolta é pelo fato de o pai ser totalmente submisso à mãe. Um dia ele é preso por estar embriagado. Na delegacia está Judy, uma jovem revoltada com o pai por este a tê-la chamado de vagabunda após vê-la maquiada e um garoto chamado John, mais conhecido como Platão, que foi preso após atirar em alguns cachorros. Esse é o primeiro encontro dos três. No dia seguinte, ao começar na nova escola, Jim encontra Judy com o seu grupo de amigos e a garota, junto com o seu namorado o esnobam. Uma rixa entre os dois rapazes se inicia terminando de uma forma trágica e dita todo o rumo da trama do filme. É uma história incrível e James Dean arrasou no papel de Jim Stark, com toda a sua intensidade. Filme maravilhoso e que eu indico!

QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (1959)

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A década de 50 foi a década da Marilyn, praticamente, todos os seus filmes de grande sucesso foram lançado nessa época. Tenham em mente que foi uma missão hercúlea escolher apenas um filme dela (iria colocar outros, mas o post ia ficar maior do que já está!). Então vamos para a história: dois músicos presenciam o massacre do dia dos namorados e precisam fugir. A forma encontrada por eles é de se vestirem de mulher e seguirem com uma banda contendo apenas garotas para algumas apresentações na Califórnia. No trem de viagem, eles conhecem a encantadora – e alcoólatra – Sugar Kane. É uma comédia deliciosa e engraçadíssima! Está na minha lista de filmes que me alegram sempre.


Bem, essa foi a primeira parte do post.

Comentem quais filmes vocês conhecem da lista e quais os favoritos que não estão aqui.

Logo mais volto para postar a segunda parte.

Um beijo do mágico e voltem sempre!

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A ostentação da Era do Jazz…

Hey!

Continuando minha maratona (e postando as resenhas atrasado por causa da minha internet)…

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No começo desse ano resolvi prometer a mim mesmo que a principal meta em relação à leitura seria ler mais clássicos (principalmente os que estão parados na minha estante há um tempo). Por enquanto, em relação aos clássicos, li O Senhor das Moscas, Macbeth e Morte e Vida Severina. Um clássico que me chamou a atenção por causa do filme (cof…cof… por causa do Dicaprio… cof… cof… sou tiete dele… cof… cof…) foi O Grande Gatsby, porém, antes de assistir ao filme peguei o livro que estava parado na minha estante desde o ano passado e é dele que eu vou falar hoje; escrito pelo autor que melhor conseguiu captar o clima da Era do Jazz: F. Scott Fitzgerald.

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O ano é 1920 e em plena Era do Jazz.

Nick Carraway (que é o narrador da história) retornou da guerra recentemente e está ainda decidindo o que fazer da vida, por enquanto arrumou um emprego temporário e apesar de ter se mudado para um lugar repleto de mansões, sua casa é pequena e irrisória e comparada com aquelas colossais ao seu redor, apenas aparenta ser menor e mais desajeitada. A mansão que fica diante de sua casa estava sempre bem iluminada, brilhante, repleta de música e pessoas e todos conhecem as lendárias festas do Sr. Gatsby – apesar de Nick nunca tê-lo conhecido de fato.

Certo dia, um carro vai até a sua porta e Nick recebe um convite oficial de Jay Gatsby, convidando-o para uma de suas festas. Lá, ele tem oportunidade de conhecer o lendário homem por trás das festanças. Os dois começam a se aproximar cada vez mais, até que Nick descobre o real motivo por causa disso: há alguns anos, Gatsby fora apaixonado pela prima de Nick, Nancy; porém acabaram se separando, ela casou e teve filhos, enquanto ele nunca a esqueceu. Então fica a cargo do altruísta Sr. Carraway, aproximar os dois.

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Então, no começo eu não sabia exatamente para onde a história estava me direcionando. Apesar de estar no título, Gatsby não aparece logo de cara. Apenas ouvimos menções à ele o tempo todo, além das fofocas e rumores à respeito de sua índole e de como conseguiu sua fortuna. Conhecemos Nancy e seu marido logo no início e já sabemos que o casamento não está indo muito bem e que Tom – marido de Nancy – tem uma amante (uma mulher que se casou com um mecânico, mas não suporta a vida simples que leva; tendo com John a oportunidade de viver uma vida de luxo durante seus encontros).

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Nick Carraway interpretado por Tobey Maguire e Jay Gatsby interpretado por Leonardo Dicaprio

O Grande Gatsby é uma história sobre amor, adultério, ostentação (depois daquele funk ostentação, eu sinto um leve incômodo ao usar a palavra) e consequências – muuuuitas consequências. Há alguns momentos em que a história fica um pouco mais lenta, mas o livro não perde o brilho por isso. Os personagens são incríveis e bem desenvolvidos. Gatsby é um personagem cercado por mistérios, pois também não sabemos sobre como conseguiu sua fortuna ou com o quê trabalha – fazendo com que o leitor também fique à mercê de rumores. A amizade de Gatsby e Nick começa com esse interesse por parte de Gatsby de se aproximar de Nancy. Porém, acaba se desenvolvendo e os dois criam uma amizade muito bonita.

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Nancy Buchanan interpretada por Carey Mulligan

Devo comentar que Nancy e Gatsby são bem legais juntos e a cena do primeiro encontro deles e todo o nervosismo que ele demonstra é uma graça. De início parece um clichê o romance dos dois, porém me surpreendeu a forma que Fitzgerald desenvolve a história e tem um final surpreendente do qual eu não esperaria NUNCA!.

Enfim, O Grande Gatsby é um clássico e vale a pena ser lido.

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Logo mais eu volto com a resenha de Doze Anos de Escravidão.

Por hoje é só pessoal.

Um beijo do mágico e voltem sempre!

#fui

aaaaa

O Senhor das Moscas…

Hey!

Continuando minha maratona de leitura! (post atrasado por causa da minha bela internet)

Primeiro preciso compartilhar como eu fiquei após o término do livro:

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Há tempos um livro não me deixava tão chocado e com um misto de sentimentos diversos. O último que me causou tanto horror ao ver até onde o ser humano pode chegar foi o Ensaio Sobre a Cegueira do José Saramago. Bem, todos os dias através dos livros, dos jornais e telejornais, notamos que há certa bestialidade no homem, que fica adormecida na maioria das pessoas pelo convívio em sociedade e pelas regras que seguimos; mesmo assim, diariamente nos deparamos com notícias assustadoras envolvendo violência. Após ler o livro do Saramago, fiquei matutando a ideia de que é preciso apenas uma situação crítica, um estopim, uma crise, para que as pessoas comecem a demonstrar esse lado primitivo. O ser humano é volúvel e apesar de tentar aparentar força e manter a postura, é fraco. E a linha que nos separa desse nosso lado primitivo é tênue, até mais do que imaginamos. Enfim, hoje vou falar de um livro surpreendente e que mostra bem isso: O Senhor das Moscas de William Golding.

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Um avião levando um grupo de crianças para longe da guerra, sofre um acidente. As crianças acabam parando em uma ilha deserta, sozinhos e sem a companhia de adultos. No começo tudo é aceito de forma tranquila e eles tem a liberdade de poder passar o dia brincando, nadando e comendo frutas. Eles até mesmo escolhem Ralph como o seu líder e começam a criar algumas regras para que possam viver em sociedade. A mais importante é manter uma fogueira acessa no ponto mais alto da ilha o tempo inteiro, servindo como sinal para os navios e aviões que passarem ali por perto. As divergências começam com Jack, um garoto mandão, que também quer ser líder. O grupo sofre uma ruptura grande quando Jack convence uns garotos a irem caçar com ele ao invés de vigiar e alimentar a fogueira, fazendo com que ela se apagasse – sendo que logo em seguida, um navio passa por eles e sem o sinal de fumaça, perdem a chance de serem resgatados. Ralph fica possesso de raiva, tendo uma grande briga com Jack.

[…] (Jack e Ralph) continuaram caminhando lado a lado, dois continentes de experiências e sentimentos incapazes de se comunicar.

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Jack resolve criar o seu próprio grupo, onde todos vão passar o dia caçando e se divertindo. E bem, sabemos como funciona a cabeça de uma criança; a ideia de diversão é bem mais atrativa do que passar o dia alimentando uma fogueira e construindo cabanas. O problema é que o grupo de Jack começa a ficar cada vez mais selvagem, libertando o lado primitivo e é aí que as coisas começam a piorar cada vez mais.

[…] as pessoas nunca são exatamente o que você pensa delas.

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Primeiro preciso comentar que Ralph e Jack me lembraram um pouco os dois porcos de A Revolução dos Bichos.

O livro é recheado de personagens interessantes e o autor nos apresenta perfeitamente a personalidade de cada um. Ralph é o típico líder, tem a aparência e sabe como falar e é exatamente por isso que de início todos o seguem sem nem pensar duas vezes. Temos também o Porquinho (ele recebe esse apelido e nunca ficamos sabendo o seu nome verdadeiro) que é totalmente desprezado por todos (bullying bem cruel, by the way) é o típico gordinho, asmático e que usa óculos, porém, de todos, é o mais inteligente e mesmo Ralph não admitindo, é de extrema importância para o grupo. Bem, Jack é o mandão que quer ser líder, mas falta o carisma suficiente e passa o tempo todo querendo firmar que é o boss, o bonzão e que é o único que sabe realmente como caçar os porcos da ilha e trazer carne para todos. Porém, o que mais me chamou atenção foi o Simon que é o mais misterioso entre todos, apesar de prestativo, está sempre calado, tem pavor de falar para o grupo e o tempo todo é como se algo estivesse errado com ele. Há vários outros personagens entre os meninos, os gêmeos Sam e Erick, o Roger (que é o pau mandado de Jack, além de suas brincadeiras repletas de malícia) e outros.

Roger reuniu um punhado de pedras e começou a jogá-las. Ainda assim, havia um espaço ao redor de Henry, com uns cinco metros de diâmetro, que não se atrevia a alvejar. Ali, invisível mas forte, erguia-se o tabu da vida antiga. Em torno do garotinho acocorado havia a proteção dos pais, da escola, da polícia e da lei. O braço de roger ainda era condicionado por uma civilização que desconhecia a sua existência e vinha caindo em ruínas.

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A leitura desse livro é densa e em vários momentos eu precisei parar para respirar e absorver antes de seguir em frente. O isolamento tem um efeito cruel sobre as pessoas e aos poucos vemos essa mudança nos meninos. Os traços da civilidade vai se apagando aos poucos e a bestialidade começa a despertar (com a grande influência de Jack). O que começa como uma brincadeira, um faz de conta, “vamos brincar de tribo?”, com suas pinturas corporais e as vestes feita com trapos; muda as crianças completamente. Isso tudo aliado ao prazer que sentem ao caçar os porcos e matá-los, o desejo por sangue e violência se torna crescente. Percebemos essa bestialidade na forma como eles fazem o ritual após a caça, imitando tudo que fizeram ao caçar os porcos e cantarolando ao redor da fogueira:

Na mesma hora, Robert começou a gritar e se debater com uma força frenética. Jack o segurava pelos cabelos, com a faca na mão. Atrás dele Roger, que se esforçava por se aproximar mais. Os gritos foram aumentando de volume, ritualmente, como o último momento de uma dança ou uma caçada.

“Mata o porco! Corta a goela! Mata o porco! Cai de pau!”

No final do post, eu vou comentar as cenas que mais me chocaram, mas fiquem tranquilos que eu vou deixar bem avisado para vocês não lerem spoilers.

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[…] diante de Simon, o senhor das moscas seguia preso à sua estaca, mostrando os dentes

Enfim, O Senhor das Moscas é um livro incrível e bem escrita. É uma análise da natureza humana. Assim como acontece no livro do Saramago, reúna o medo, a vontade de sobreviver e o isolamento, é o bastante para termos uma crise. Sabemos como as pessoas são capazes de agir em situações extremas, é só vermos como funciona os países em guerras, ou estudarmos as guerras antigas. O homem é o demônio do homem. Indico avidamente o livro, para que leiam, tirem suas conclusões e o analisem, pois não se trata de uma simples história, é muito mais do que isso.

Antes de encerrar…

No último post eu comentei como sou fã do Stephen King e um dos motivos que me fez ficar interessado em ler O Senhor das Moscas foi o comentário de King em sua biografia dizendo que este livro foi a razão pela qual ele quis ser escritor. Não poderia deixar de conferir depois dessa e valeu a pena, encontrei mais um livro que entrou para a minha lista de favoritos.

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Então, leiam esse clássico!

Se já leu, comente, será bem vindo e se não leu, comente também xD

Por hoje é só pessoal.

Um beijo do mágico e voltem sempre!

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[O QUE EU VOU ESCREVER A SEGUIR É SPOILER, ENTÃO, SE NÃO QUISER SABER DETALHES SOBRE O LIVRO, NÃO LEIA!]

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Então gente, entre as cenas que mais me chocaram estão com certeza a morte do Simon (eles o cercaram enquanto cantavam sobre matar o porco e o perfuraram com uma lança), a morte do Porquinho (enquanto Ralph tenta conversar sem sucesso com a tribo criada por Jack, Roger atinge Porquinho na cabeça com uma pedra, ele cai da ribanceira e morre). Bem, a própria forma como Jack e seus seguidores enlouquecem à medida que o tempo passa torna tudo assustador e com certeza, a cena final onde todos estão caçando Ralph como um animal para matá-lo, é sufocante. Nunca senti tanto medo por alguém.

E ainda não superei a morte do Simon… poxa, era o meu personagem favorito :/

*

*

“I am in misery. There ain’t nobody who can comfort me (oh yeah)”

Hey!

Desde que eu comprei esse livro, a música Misery do Maroon 5 fica tocando na minha cabeça freneticamente e não é que, de certa forma, o clipe da música combina com o livro?

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Enfim, Stephen King é o meu autor favorito desde que eu li pela primeira vez Carrie, A Estranha e O Iluminado. A forma que ele escreve é única e nos faz entrar na cabeça dos personagens. Foi lendo-o também, que eu descobri que queria realmente ser escritor e assim, mudou o meu foco da vida. Desde então, li outros livros dele como O Cemitério Sob a Redoma, além do primeiro livro da série A Torre Negra (cuja qual pretendo resenhar aqui apenas quando terminar todos os sete livros) e pretendo ler mais e mais (assim que o dinheiro permitir, já que os livros do King não são os mais baratos). Na quarta-feira dessa semana (02/07) comecei uma maratona de leitura com a minha amiga Andressa e nada melhor do que começar por um livro do grande mestre. Hoje vou falar do INCRÍVEL Misery.

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Paul Sheldon é um autor de sucesso, e com uma legião de fãs graças a sua série de livros que traz sua personagem mais amada: Misery; a história é repleta de romances, aventuras e desventuras durante a era vitoriana em uma Londres do século XIX. Entretanto, Paul não está contente com o fato de ser marcado apenas por estes livros – tendo os seus outros trabalhos ignorados, assim, ele decide matar sua personagem mais marcante e encerrar a história; dedicando-se à outra intitulada Carros Velozes.

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Cena da adaptação de 1990 estrelada por James Caan e Kathy Bates (a atriz ganhou um oscar, um globo de ouro e um CFCA Award pelo papel)

O seu destino muda completamente, quando um dia, ele sofre um acidente de carro. Paul acorda no quarto de uma casa, com as duas pernas quebradas e muita dor. Ao seu lado, cuidando dele, está Annie Wilkes que continua murmurando que é sua fã número um. Annie é uma mulher corpulenta que vive sozinha em sua fazenda – o vizinho mais próximo fica à quilômetros de distância. Annie também tem um problema, ela é mentalmente instável e fica ainda mais perturbada ao descobrir que sua heroína – Misery – foi morta. E é assim, nas mãos de uma mulher descontrolada, instável e sádica, que Paul Sheldon precisa ressuscitar a personagem e escrever um romance inteiro para Annie… se quiser sobreviver.

Paul percebera que o temperamento de Annie era como a primavera no Meio-Oeste. Ela era uma mulher cheia de tornados em potencial, e se ele fosse um fazendeiro observando um céu parecido com o rosto de Annie, teria ido imediatamente reunir a família no porão para protegê-la da tempestade.

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Então houve um som. Não se repetiu, mas era um som bem distinto. Um tapa. E forte pra cacete. E já que ele estava ali, atrás de uma porta trancada e Annie estava do outro lado, não era preciso ser Sherlock Holmes para compreender que ela se estapeara. A julgar pelo som, um tapa muito bem dado. Ele se lembrou dela puxando o lábio, enfiando as unhas curtas na carne sensível e rosada.

[…] Paul se lembrou de um fato sobre doenças mentais […]: Quando uma personalidade maníaco-depressiva começa a entrar em um período de depressão profunda, um sintoma que pode surgir são atos de autopunição: tapas, socos, beliscões, queimaduras com cigarro etc.

Subitamente Paul teve bastante medo.

Um dos principais talentos do King é saber desenvolver o lado psicológico dos personagens de uma forma única. Esqueça os fantasmas e monstros no armário, nesse livro temos algo mais apavorante. Já se imaginou à mercê de uma pessoa insana? Annie foi, de longe, a personagem mais assustadora com a qual já tive contato. Nunca sabemos o que ela será capaz de fazer e nunca podemos adivinhar suas reações. Às vezes temos uma reação explosiva a algo simples e às vezes, uma reação calma há algo que, tecnicamente, deveria irritá-la. Paul também nota que ela tem um estoque muito grande de medicamentos, além de certa habilidade para cuidar de seus ferimentos. Ao longo do livro ele sente na pele o terror de estar nas mãos de sua fã número um e o leitor acaba sofrendo junto, passando pelas torturas físicas e psicológicas (que são assustadoras, sério!)

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Agora, há outro atrativo nesse livro que é para todos aqueles que tem interesse pela arte da escrita (querendo ser escritor ou não). Enquanto Paul escreve, temos acesso à várias reflexões sobre a arte da escrita, sobre o que é ser um escritor e as vantagens e desvantagens de se ter uma imaginação fértil.

[…] escritores se lembram de tudo, […]. Especialmente o que dói. Tire toda a roupa de um escritor, aponte para as cicatrizes e ele vai contar a história de todas, até as menores. As maiores rendem romances, não amnésia. É bom ter algum talento se você quer ser escritor, mas o único requerimento real é a habilidade de lembrar da história de cada cicatriz. Arte é a persistência da memória.

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É difícil ser imparcial quando eu falo do King, até porque estou falando sobre o meu autor favorito. Sempre que puder vou indicar os seus livros. Sua escrita é hipnótica e ele sabe criar um clímax como ninguém. Fica aí a dica para todos. Uma curiosidade interessante sobre o King é que ele faz referências as suas outras obras. Nesse temos uma referência sobre O Iluminado: “Era um hotel velho e famosos chamado Overlook. Queimou tem mais de dez anos. O zelador queimou tudo. Ele era louco”.

Então é isso pessoal!

Um beijo do Mágico e voltem sempre!

#fui

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“It’s Coraline. Not Caroline!”

Hey!

Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas estou atolado de livros para ler e resolvi simplesmente ‘get crazy’ e tentar ler quatro ao mesmo tempo. Isso fez com que eu não terminasse nenhum. Resolvi deixar essa loucura de lado e pegar um por um e terminá-los logo de uma vez. Enfim, esse sou eu falando demais. Um dos livros que eu terminei recentemente, me agradou demais. Eu já era apaixonado pela animação e no ano passado, descobri que existia o livro; tratei de comprá-lo, mas só o li agora. Estou falando do excelente Coraline escrito pelo incrível Neil Gaiman (eu sei, adjetivos demais, mas não consigo evitar, o cara é realmente muito bom!).

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Essa minha edição do livro é a britânica e pode ser facilmente encontrada no Book Depository. Aqui no Brasil o livro foi publicado pela Rocco!

Coraline (e não CAroline) acabou de se mudar para uma casa antiga e enorme que foi dividida e transformada em vários flats. O lugar é velho e fica em uma cidadezinha onde o céu estava sempre cinzento. Seus pais trabalham em casa – fazendo sabe-se lá o quê – e apesar de estarem com ela a maior parte do tempo, não dão atenção suficiente para a menina. Isso faz com que Coraline tenha que, sozinha, arrumar meios de passar o tempo enquanto as aulas não começam. Acaba dividindo os seus dias entre explorar as redondezas, sua própria casa e visitar suas duas vizinhas, Miss Spinky e Miss Forcible, duas atrizes aposentadas que criam vários cachorros; além de conversar uma vez ou outra com seu vizinho esquisito que diz treinar ratos para montar um circo (o que ela não acredita muito). Um dia ela descobre uma porta em uma sala usada apenas para guardar os móveis que sua avó deixou de herança após morrer, quando consegue a chave com a mãe descobre que além da porta há apenas uma parede de tijolos… pelo menos é o que parece inicialmente. Em uma noite, após seguir um barulho estranho que ressoa pela casa, Coraline acaba novamente diante da porta misteriosa e quando a abre, encontra um corredor escuro; guiada pela curiosidade, ela resolve entrar e acaba chegando em uma casa muito parecida com a sua e é lá que ela conhece a sua outra mãe, uma mulher muito parecida com a sua mãe, só que com dedos longos e finos e olhos de botão.

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‘What’s your name?’ Coraline asked the cat. ‘Look, I’m Coraline. Okay?’
‘Cats don’t have names,’ it said.
‘No?’ said Coraline.
‘No,’  said the cat. ‘Now you people have names. That’s because you don’t know who you are. We know who we are, so we don’t need names.’

 

[tradução livre]: ‘Qual o seu nome?’ Coraline perguntou ao gato. ‘Veja, eu sou a Coraline. Okay?’

‘Gatos não tem nome,’ disse.

‘Não?’

‘Não,’ disse o gato. ‘Agora o seu povo tem nome. Isso porque eles não sabem quem são. Nós sabemos quem somos, então não precisamos de nomes’

Coraline não é o primeiro livro do Neil Gaiman que leio, ano passado tive uma experiência incrível ao ler O Oceano no Fim do Caminho. Aliás, Gaiman é um autor do qual eu desejo me aprofundar cada vez mais em sua obra (quero muito ler O Livro do Cemitério, Deuses Americanos e a HQ Sandman, além de seus outros trabalhos).

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Um momento para homenagear o gato, que é o meu personagem favorito do livro além de o mais sarcástico e rei das “patadas”

Como eu assisti o filme primeiro, fiquei surpreso ao notar que o livro é bem mais sombrio e obscuro em relação ao filme (e o filme tem um personagem que não existe no livro) – mesmo assim ambos são ótimos. A história é bem fluida e a escrita do Neil Gaiman é incrível, além de seu talento para nos colocar lá no meio da história. E em vários momentos consegui me ver quando criança através da Coraline. E o mais legal, apesar do público alvo ser o juvenil, Gaiman não subestima o leitor em momento algum, isso faz com que a história sirva para todas as idades.

“There are those who have suggested that the tendency of a cat to play with it’s prey is a merciful one – after all, it permits the occasional funny little running snack to escape, from time to time. How often does your dinner get to scape?”

 

[tradução livre]: “Há aqueles que sugerem que a tendência de os gatos brincarem com suas presas é um ato misericordioso – permite que o “lanche” escape. Quantas chances o seu jantar tem de escapar?”

Gosto de como a “outra mãe” usa a carência que as crianças sentem pela falta de atenção por parte dos pais para atraí-los, construindo um mundo “perfeito”, onde a criança pode ter todo o amor que desejar – e é usando essa tática covarde que ela consegue suas presas. Enfim, o livro traz uma ótima história de aventura, terror e mistério, além de várias lições para todos.

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‘Small world’, said Coraline

‘It’s big enough for her,’ said the cat. ‘Spiders’ webs only have to be large enough to catch flies’

 

[tradução livre]: ‘Mundo pequeno’, disse Coraline.

‘É grande o bastante para ela’ disse o gato. ‘Teias de aranha são apenas grandes o suficiente para pegar as moscas’

Então, fica aí a minha recomendação de um livro muito bom, creepy e delicioso de ser lido!

Por hoje é só pessoal.

Um beijo do Mágico e voltem sempre!

:*

#fui

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