O Senhor das Moscas…

Hey!

Continuando minha maratona de leitura! (post atrasado por causa da minha bela internet)

Primeiro preciso compartilhar como eu fiquei após o término do livro:

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Há tempos um livro não me deixava tão chocado e com um misto de sentimentos diversos. O último que me causou tanto horror ao ver até onde o ser humano pode chegar foi o Ensaio Sobre a Cegueira do José Saramago. Bem, todos os dias através dos livros, dos jornais e telejornais, notamos que há certa bestialidade no homem, que fica adormecida na maioria das pessoas pelo convívio em sociedade e pelas regras que seguimos; mesmo assim, diariamente nos deparamos com notícias assustadoras envolvendo violência. Após ler o livro do Saramago, fiquei matutando a ideia de que é preciso apenas uma situação crítica, um estopim, uma crise, para que as pessoas comecem a demonstrar esse lado primitivo. O ser humano é volúvel e apesar de tentar aparentar força e manter a postura, é fraco. E a linha que nos separa desse nosso lado primitivo é tênue, até mais do que imaginamos. Enfim, hoje vou falar de um livro surpreendente e que mostra bem isso: O Senhor das Moscas de William Golding.

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Um avião levando um grupo de crianças para longe da guerra, sofre um acidente. As crianças acabam parando em uma ilha deserta, sozinhos e sem a companhia de adultos. No começo tudo é aceito de forma tranquila e eles tem a liberdade de poder passar o dia brincando, nadando e comendo frutas. Eles até mesmo escolhem Ralph como o seu líder e começam a criar algumas regras para que possam viver em sociedade. A mais importante é manter uma fogueira acessa no ponto mais alto da ilha o tempo inteiro, servindo como sinal para os navios e aviões que passarem ali por perto. As divergências começam com Jack, um garoto mandão, que também quer ser líder. O grupo sofre uma ruptura grande quando Jack convence uns garotos a irem caçar com ele ao invés de vigiar e alimentar a fogueira, fazendo com que ela se apagasse – sendo que logo em seguida, um navio passa por eles e sem o sinal de fumaça, perdem a chance de serem resgatados. Ralph fica possesso de raiva, tendo uma grande briga com Jack.

[…] (Jack e Ralph) continuaram caminhando lado a lado, dois continentes de experiências e sentimentos incapazes de se comunicar.

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Jack resolve criar o seu próprio grupo, onde todos vão passar o dia caçando e se divertindo. E bem, sabemos como funciona a cabeça de uma criança; a ideia de diversão é bem mais atrativa do que passar o dia alimentando uma fogueira e construindo cabanas. O problema é que o grupo de Jack começa a ficar cada vez mais selvagem, libertando o lado primitivo e é aí que as coisas começam a piorar cada vez mais.

[…] as pessoas nunca são exatamente o que você pensa delas.

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Primeiro preciso comentar que Ralph e Jack me lembraram um pouco os dois porcos de A Revolução dos Bichos.

O livro é recheado de personagens interessantes e o autor nos apresenta perfeitamente a personalidade de cada um. Ralph é o típico líder, tem a aparência e sabe como falar e é exatamente por isso que de início todos o seguem sem nem pensar duas vezes. Temos também o Porquinho (ele recebe esse apelido e nunca ficamos sabendo o seu nome verdadeiro) que é totalmente desprezado por todos (bullying bem cruel, by the way) é o típico gordinho, asmático e que usa óculos, porém, de todos, é o mais inteligente e mesmo Ralph não admitindo, é de extrema importância para o grupo. Bem, Jack é o mandão que quer ser líder, mas falta o carisma suficiente e passa o tempo todo querendo firmar que é o boss, o bonzão e que é o único que sabe realmente como caçar os porcos da ilha e trazer carne para todos. Porém, o que mais me chamou atenção foi o Simon que é o mais misterioso entre todos, apesar de prestativo, está sempre calado, tem pavor de falar para o grupo e o tempo todo é como se algo estivesse errado com ele. Há vários outros personagens entre os meninos, os gêmeos Sam e Erick, o Roger (que é o pau mandado de Jack, além de suas brincadeiras repletas de malícia) e outros.

Roger reuniu um punhado de pedras e começou a jogá-las. Ainda assim, havia um espaço ao redor de Henry, com uns cinco metros de diâmetro, que não se atrevia a alvejar. Ali, invisível mas forte, erguia-se o tabu da vida antiga. Em torno do garotinho acocorado havia a proteção dos pais, da escola, da polícia e da lei. O braço de roger ainda era condicionado por uma civilização que desconhecia a sua existência e vinha caindo em ruínas.

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A leitura desse livro é densa e em vários momentos eu precisei parar para respirar e absorver antes de seguir em frente. O isolamento tem um efeito cruel sobre as pessoas e aos poucos vemos essa mudança nos meninos. Os traços da civilidade vai se apagando aos poucos e a bestialidade começa a despertar (com a grande influência de Jack). O que começa como uma brincadeira, um faz de conta, “vamos brincar de tribo?”, com suas pinturas corporais e as vestes feita com trapos; muda as crianças completamente. Isso tudo aliado ao prazer que sentem ao caçar os porcos e matá-los, o desejo por sangue e violência se torna crescente. Percebemos essa bestialidade na forma como eles fazem o ritual após a caça, imitando tudo que fizeram ao caçar os porcos e cantarolando ao redor da fogueira:

Na mesma hora, Robert começou a gritar e se debater com uma força frenética. Jack o segurava pelos cabelos, com a faca na mão. Atrás dele Roger, que se esforçava por se aproximar mais. Os gritos foram aumentando de volume, ritualmente, como o último momento de uma dança ou uma caçada.

“Mata o porco! Corta a goela! Mata o porco! Cai de pau!”

No final do post, eu vou comentar as cenas que mais me chocaram, mas fiquem tranquilos que eu vou deixar bem avisado para vocês não lerem spoilers.

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[…] diante de Simon, o senhor das moscas seguia preso à sua estaca, mostrando os dentes

Enfim, O Senhor das Moscas é um livro incrível e bem escrita. É uma análise da natureza humana. Assim como acontece no livro do Saramago, reúna o medo, a vontade de sobreviver e o isolamento, é o bastante para termos uma crise. Sabemos como as pessoas são capazes de agir em situações extremas, é só vermos como funciona os países em guerras, ou estudarmos as guerras antigas. O homem é o demônio do homem. Indico avidamente o livro, para que leiam, tirem suas conclusões e o analisem, pois não se trata de uma simples história, é muito mais do que isso.

Antes de encerrar…

No último post eu comentei como sou fã do Stephen King e um dos motivos que me fez ficar interessado em ler O Senhor das Moscas foi o comentário de King em sua biografia dizendo que este livro foi a razão pela qual ele quis ser escritor. Não poderia deixar de conferir depois dessa e valeu a pena, encontrei mais um livro que entrou para a minha lista de favoritos.

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Então, leiam esse clássico!

Se já leu, comente, será bem vindo e se não leu, comente também xD

Por hoje é só pessoal.

Um beijo do mágico e voltem sempre!

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[O QUE EU VOU ESCREVER A SEGUIR É SPOILER, ENTÃO, SE NÃO QUISER SABER DETALHES SOBRE O LIVRO, NÃO LEIA!]

*

*

Então gente, entre as cenas que mais me chocaram estão com certeza a morte do Simon (eles o cercaram enquanto cantavam sobre matar o porco e o perfuraram com uma lança), a morte do Porquinho (enquanto Ralph tenta conversar sem sucesso com a tribo criada por Jack, Roger atinge Porquinho na cabeça com uma pedra, ele cai da ribanceira e morre). Bem, a própria forma como Jack e seus seguidores enlouquecem à medida que o tempo passa torna tudo assustador e com certeza, a cena final onde todos estão caçando Ralph como um animal para matá-lo, é sufocante. Nunca senti tanto medo por alguém.

E ainda não superei a morte do Simon… poxa, era o meu personagem favorito :/

*

*

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Publicado por

Bruno M. Foster

Leitor assíduo. Pianista em formação. Aspirante a escritor. Compositor. Apaixonado pelas artes. Fã incondicional de Damien Rice, Amy Lee, Fiona Apple, Lana Del Rey, Gerard Way e Regina Spektor. Idolatra Edgar Allan Poe, George R. R. Martin, Stephen King, William Shakespeare, Arthur Rimbauld, J.K Rowling, Charles Dickens, Jonathan Safran Foer, Álvares de Azevedo, Clarice Lispector, Ernesto Sabato, George Orwell e etc... Comum. Um tanto tímido, mas tentando quebrar alguns muros. Está sempre procurando inspiração nos mais improváveis lugares, desde alguém interessante na rua à uma árvore que parece solitária em uma praça. Superando o negativismo. Aprendendo a não se concentrar no lado ruim do ser humano e passar a observar as coisas boas. Cinéfilo iniciante. Sonha em ser escritor, cantor e dividir os mundos existentes em sua cabeça com as pessoas. Usa o blog para tentar encontrar pessoas com os gostos parecidos ao dele.

3 comentários em “O Senhor das Moscas…”

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